Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 19/03/2019

O acesso à educação nos últimos 20 anos aumentou consideravelmente, principalmente quando as políticas públicas de fomento, tais como o FUNDEF e, posteriormente o FUNDEB, criaram incentivos financeiros para que estados e municípios pudessem disponibilizar meios de acesso à escola e maior disponibilidade de matrículas. No entanto, o aumento de matrículas e maior acesso aos diversos níveis de ensino, não refletiu em melhora nos índices gerais de avaliação.

Segundo dados do IBGE o Brasil apresenta ainda 11,5 milhões de analfabetos dentre pessoas de 15 anos ou mais. As políticas de intervenção em diversos municípios do país são estimuladas e é possível que demore muito mais tempo para que esses índices de analfabetismo diminuam. Em diversos municípios existem programas de promoção automática entre as séries escolares. Esse fato colabora para que muitos cheguem a concluir o ensino médio sem ter desenvolvido as competências básicas de leitura e interpretação de textos. Há ainda um outro fator comprometedor que, ainda, não foi investigado, a manipulação de dados do SAEB. Nessa perspectiva de alteração de dados visando apenas números de olho em mais dinheiro que seja disponibilizado para estados ou municípios que mostrarem melhores resultados em avaliações internas e externas à rede, o maior perdedor é o aluno que não teve suas competências e habilidades desenvolvidas de forma adequada.

O aluno que é submetido a esse tipo de sistema perde as oportunidades de desenvolver suas reais capacidades e torna-se apenas massa de manobra, sai com um diploma de seu respectivo nível mas sem as habilidades adequadas, muitas das vezes não consegue interpretar um texto. Sendo um indivíduo graduado, mas sem as necessárias capacidades desenvolvidas. O analfabetismo funcional irá trazer-lhe dificuldades na vida em sociedade, na luta por uma vaga no mercado de trabalho e nas lutas do dia a dia. É preciso que a educação no Brasil seja levada a sério e os mecanismos de fomento sejam capazes de chegar até às unidades escolares de forma adequada tanto na perspectiva de fomento através de recursos financeiros bem como de materiais de apoio didático ao professor e aos agentes envolvidos nessa prática pedagógica.

Uma das alternativas para a melhor aferição de dados estatísticos de avaliação de ensino tanto em nível local quanto nacional seria a formação de conselhos de pais e alunos junto ás câmaras municipais e Assembleias Legislativas estaduais com aparato disponibilizado para fiscalização de unidades escolares e impedir que as avaliações do SAEB sejam fiscalizadas por membros da unidade onde a prova será realizada e criação de softwares que possam promover a avaliação individual do aluno conforme os descritores que foram planejados para cada nível bimestralmente.