Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 24/03/2019

Após a crise e a destruição causadas pela Segunda Guerra Mundial, o Japão decidiu priorizar o investimento em educação, se tornando, hoje, uma potência mundial. Contraditoriamente ao que ocorre nessa nação asiática, de acordo com dados divulgados pelo Jornal da Record, em 2016, cerca de metade dos brasileiros  entre 15 e 64 anos têm dificuldade de interpretar textos simples, de modo que o déficit pedagógico é um dos fatores que retardam o progresso do Brasil. Dessa forma, é de fundamental importância avaliar como a inacessibilidade à educação e o modelo educacional anacrônico contribuem para o analfabetismo funcional e, assim, obter alternativas para combatê-lo.

Em primeiro plano, quando o escritor Aluísio de Azevedo retrata, em sua obra " O Cortiço “, uma escrava, que devido a sua incapacidade de leitura, foi manipulada e enganada pelo personagem principal, evidencia-se a importância da alfabetização proficiente tanto para a vida pessoal quanto para a social. Sob esse viés, sabe-se que a educação de qualidade, apesar de ser um direito básico assegurado em lei, não é acessível à grande parte da população. Dessa maneira, os jovens, principalmente de regiões carentes, ou acabam sem uma formação educacional ou com uma instrução precária, que além de dificultar o ingresso no mercado de trabalho, torna o indivíduo manipulável, uma vez que esse tem pouca capacidade de interpretação dos conteúdos à sua volta.

Concomitantemente, à questão de acesso, segundo a pesquisa “Educação 2017 “, 20 % dos jovens apontam como motivo da interrupção dos estudos a falta de interesse, corrobora-se, assim, a necessidade de uma mudança no modelo educacional obsoleto. Nesse sentido, observa-se que o aluno precisa enxergar a escola como uma opção que vai ajudá-lo a ter uma vida melhor, contudo, o ensino brasileiro carece de atividades que relacionem o conteúdo com a vida real dos indivíduos e despertem o interesse na leitura e em ofícios culturais que estimulem a capacidade de compressão e o senso crítico.

Por conseguinte, ocorre o aumento da evasão escolar e do analfabetismo funcional.

Dado o exposto, conclui-se que é de essencial relevância a resolução dessa problemática. Desse modo, para que as escolas sejam mais atrativas para as crianças e os adolescentes, é necessário que o MEC, com auxílio de ONGs, desenvolva em todas as escolas atividades contextualizadas com a realidade dos alunos, que visem, por meio de estímulos e orientação de profissionais, estimular a leitura e ensinar a importância da formação educacional para a obtenção de uma vida melhor. Somado a isso, a União deve garantir o acesso à essa educação à todos os cidadãos, e fiscalizar frequentemente, para ter certeza da qualidade dos profissionais e das atividades engajadoras. Dessa maneira, teremos uma nação hábil alfabeticamente, mais distante do retratado na ficção e mais perto do sucesso do Japão.

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