Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 20/03/2019

O analfabetismo funcional consiste na incapacidade de compreensão de textos simples, bem como de realização de operações matemáticas mais elaboradas, apesar dos indivíduos saberem reconhecer letras e números. No Brasil, de acordo com pesquisas feitas pelo Instituto Pró-Livro, 50% dos entrevistados declararam não ler livros por não conseguirem entender o conteúdo tratado, embora sejam tecnicamente alfabetizados. Além disso, de acordo com o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), o Brasil tem cerca de 38 milhões de analfabetos funcionais, dados que são alarmantes, pois a dificuldade de compreensão dos gêneros textuais, mesmos os mais simples e mais acessados no cotidiano, prejudica o desenvolvimento intelectual, pessoal e profissional do indivíduo, problema que deve ser levado a sério.

Em primeira análise, observa-se que, de acordo com o Inaf, três em cada dez jovens e adultos de 15 a 64 anos no Brasil (29% do total) são analfabetos funcionais, situação que se encontra estagnada desde 2001, ano de início do Inaf, em que o total de brasileiros de 15 a 64 anos que chegaram ao ensino médio aumentou de 24% para 40%, e ao ensino superior, de 8% para 17%, porém, apesar de mais anos de estudo, o índice daqueles plenamente capazes de se comunicar pela linguagem escrita segue igual.

Consequentemente, embora o número de analfabetos tenha diminuído no Brasil nos últimos quinze anos, o analfabetismo funcional persiste, como um fantasma que atinge até mesmo estudantes que frequentam o ensino superior, desfazendo o mito de que ele estaria intrinsecamente relacionado à baixa escolaridade, situação que pode estar relacionada com a falta de métodos que priorizem o letramento, bem como a falta de incentivo pela leitura, o que dificulta o desenvolvimento da criticidade e capacidade de elaborar opiniões próprias diante dos conteúdos acessados, somados com a negligência do  Ministério da Educação (MEC), que informou, em nota, que só pode avaliar estudos do governo federal.

Portanto, faz-se necessário desenvolver medidas que visem tornar a aprendizagem mais universalizada, propiciando assim que todos os leitores atinjam o nível pleno da alfabetização funcional. Para tanto, de acordo com o especialista em educação do Centro Brasileiro de Cursos (Cebrac), Luciano Rudnik, a escola precisa estimular a interpretação, o raciocínio e a procura por solução de problemas, para que o aluno possa aplicar os conhecimentos na prática. Além disso, é de extrema importância o trabalho conjunto entre pais e professores e o pleno incentivo da sociedade e do governo, para que, assim, possamos romper com o descaso histórico com a qualidade da educação.