Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 20/03/2019

No limiar do século XXI, o analfabetismo funcional aparece com um dos problema mais aparentes na sociedade brasileira. É mediante tal questão que as desigualdades sociais e políticas se atenuam, uma vez que a educação é fator ímpar para o desenvolvimento geral da nação. Nesse contexto, é indispensável discutir a atuação governamental, analisar as origens e discutir as consequências nas diversas facetas da sociedade para posterior evolução do país.

Em uma primeira abordagem, é fundamental destacar que a Constituição Federal de 1988, garante, em seu artigo 205, a educação como um direito todos, dever do estado e da família. Todavia, o poder público falha na efetivação desses direitos. Consoante a Aristóteles no livro ‘‘Ética a Nicômaco’’, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, porém, o que observa-se no Brasil é uma deturpação desse conceito. De maneira análoga, é possível perceber que os esforços governamentais, como o Pacto Nacional de Alfabetização na Idade Certa, com o objetivo de alfabetizar 100% das crianças até os 18 anos de idade, são ineficientes em seu papel de assegurar o desenvolvimento educacional brasileiro. Nesse sentido, pesquisas do IBOPE Inteligência, Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, indicam 29% dos brasileiros como analfabetos funcionais, o que demonstra que 3 a cada 10 brasileiros não possuem habilidades de interpretação de textos e de realizar operações matemáticas.

Outro ponto em destaque — nessa temática — é a disparidade na qualidade de ensino entre instituições de ensino públicas e privadas, atenuando as desigualdades sociais já presentes na sociedade brasileira. Seguindo essa linha de raciocínio, a segregação intelectual acontece cedo, logo aos 6 a 8 anos de idade, uma vez que as famílias com condições financeiras mais elevadas matricularem suas crianças em escolas privadas, visto a má reputação de colégios públicos. Nesse âmbito, o educador Paulo Freire defende o pensamento de que, se a educação não pode transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Sendo assim, é ímpar uma maior atenção governamental, além da cobrança social no que tange o ensino e alfabetização de crianças, uma vez que falhas educacionais nesse período se tornam problemas futuros, como no ensino médio e superior.

Fica evidente, portanto que medidas são necessárias para mitigar o analfabetismo funcional brasileiro. Cabe ao Ministério da Educação capacitar professores no que diz respeito a alfabetização de jovens, visto que sua qualidade é fator determinante no aprendizado e desenvolvimento do aluno. Além disso, é importante que o Estado invista em projetos como o EJA, Educação de Jovens e Adultos, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas que não tiveram oportunidade de se afalbetizar mais cedo. Assim, a segregação intelectual brasileira será cada vez menos aparente .