Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 24/03/2019

No limiar do século XXI, embora o número de analfabetos tenha diminuído no Brasil, a questão do analfabetismo funcional ainda é espantosa, não afetando somente aqueles com baixo nível de escolaridade, mas também estudantes que frequentam o ensino superior. Nota-se que os analfabetos funcionais são indivíduos que sabem reconhecer letras e números, porém são incapazes de compreender textos simples e realizar operações matemáticas mais complexas.

Em primeiro plano, observa-se que a ineficiência do sistema de alfabetização atual, o ensino básico de baixa qualidade junto da ausência de campanhas de incentivo à leitura, são as principais causas para a propagação dessa problemática. Um processo que cresceu por conta da falta de incentivo e qualificação nas escolas brasileiras. Sob esse viés, uma pesquisa feita de acordo com o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), em 2018, entre o grupo de 29% dos analfabetos funcionais, 4% estão no ensino superior, nível de ensino em que se pressupõe um aluno plenamente alfabetizado. Cenários como esse propiciam o entendimento de que esse problema reduz oportunidades de inclusão social e empregabilidade à esses indivíduos, ao não estarem aptos a discutir, fazer análise, participar e debater sobre diversos assuntos.

Em decorrência disso, quando o ex presidente da África do Sul Nelson Mandela afirma que a educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o mundo, corrobora-se a importância e a necessidade de um ensino básico de qualidade e suficiente para a aprendizagem dos alunos. Contrariamente, a educação brasileira, principalmente a pública, possui muitos fatores que proporcionam resultados negativos, como alunos de sexto ano do ensino fundamental que não são capazes de ler ou escrever. Um fato que resulta da má estruturação do sistema, no qual professores são desvalorizados, com salários baixos, investimentos públicos insuficientes para atender com qualidade as necessidades educacionais, pais que não participam da educação dos filhos, fato que também agrava a situação, pois quando a criança percebe o interesse dos pais por seus estudos e por suas experiências escolares, sentem-se valorizadas e o processo de aprendizagem melhora.

Dessa forma, fica claro que o acesso a uma alfabetização plena, capaz de promover autonomia em atividades como refletir, pensar e opinar, é ideal para a socialização dos indivíduos. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação junto à Secretaria Municipal da Educação realizar projetos de incentivo à leitura nas escolas com oficinas para pais e filhos, além de aumentar os investimentos na educação básica para que a qualidade torne-se melhor, professores exerçam seu trabalho com profissionalismo e o analfabetismo funcional diminua cada vez mais.