Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 24/03/2019
Conforme propõe a Constituição Federal, todos devem ter acesso à cidadania, o que pressupõe um ensino igualitário e de qualidade. No entanto, as relações socialmente constituídas, reforçadas pelo modo como a educação é conduzida no Brasil e pela falta de ação efetiva do governo em maximizá-la, limitam a formação satisfatória dos jovens, tornando-os analfabetos funcionais.
Em primeiro lugar, a desigualdade social é fator decisivo para aumentar o analfabetismo funcional, uma vez que aparece com mais frequência nos estudantes da rede pública de ensino. Isso se deve, principalmente, por causa da mecanização da educação que, pautada na competitividade, distancia-se da realidade, tornando o processo educacional desinteressante. Nessa perspectiva, embora haja um aprendizado, ele é muito superficial e não permite o desenvolvimento proficiente de todas as competências e habilidades esperadas. Assim, conforme dados da Record, quase 50% da população brasileira sabe ler e escrever, mas tem imensa dificuldade em interpretar e redigir textos.
A posteriori, o governo, embora pressuponha como direito fundamental o acesso à educação, é ineficiente em assegurá-lo, visto que não disponibiliza um ensino público de qualidade. Uma razão para isso está no desvio de verbas, que impede o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a melhoria da rede escolar. Prova clara disso, é a precariedade das escolas que, muitas vezes, não tem a mínima infraestrutura necessária para efetivar a educação e aproximá-la da realidade de todos. Por isso, tem razão Gilberto Dimenstein ao afirmar que a Constituição prevê muitos direitos, mas nem todos são garantidos, a exemplo da alfabetização que ainda está longe de ser efetiva para a população brasileira como um todo.
Portanto, a fim de erradicar o analfabetismo funcional, faz-se necessário que o MEC, responsável pelo planejamento educacional, promova, por meio da pedagogia da sensibilidade, um ensino transformador, que possibilite a efetivação das competências e habilidades esperadas para cada fase. Ademais, o governo deve, por intermédio de políticas públicas, elaborar metas para melhorar a infraestrutura das escolas, possibilitando o acesso proficiente de todos. Assim, a alfabetização poderia se tornar concreta e haveria o pleno exercício da cidadania.