Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 22/03/2019

“Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos -sou eu que escrevo o que estou escrevendo.” O trecho da obra “A Hora da Estrela” de Clarice Lispector, evidencia a escrita como forma de entender a realidade, como expressão e comunicação com o mundo exterior, algo que só é possível com a plena alfabetização. Dessa maneira, o analfabetismo funcional priva os indivíduos dessa compreensão entre indivíduo e meio, marginalizando-o na sociedade. Em face a isso, analisa-se que essa temática é uma mazela histórica que perdura na sociedade devido à falha do tradicional sistema de ensino.

Mormente, evidencia-se que na República Oligárquica, somente os alfabetizados podiam votar e, por isso, os coronéis ensinavam letras básicas a seus funcionários para que pudessem praticar o “voto de cabresto”. Contudo, esses indivíduos sabiam mal lerem seus próprios nomes, não tinham capacidade interpretativa nem crítica com a leitura, permaneciam na ignorância, suscetíveis a influências externas. Dessa forma, o analfabetismo funcional, presente na contemporaneidade, é um indicador de retrocesso da civilização brasileira, que se mostra despreocupada com o desenvolvimento cognitivo de seus cidadãos e com a legitimação do direito básico à educação.

Outrossim, ressalta-se que um agravante para a permanência dessa problemática é o ensino tradicional, uma vez que a teoria dada em uma sala de aula não é suficiente para dizer que o tema foi assimilado e aprendido. Segundo o psicólogo Jean Piaget, a aprendizagem envolve a aplicação dos conhecimentos, da experimentação e a demonstração, logo, o educador precisa gerar interesse como instrumento com o qual o aluno possa entender e atuar. Em decorrência a isso, é notório que alfabetizar não é apenas ensinar a junção de sílabas, mas a língua como um organismo vivo, capaz de inclusão e de expressão, porque, com a atenção do estudante, o pedagogo pode explorar a sua capacidade de interpretação e de criticidade.

Destarte, está explícito que a história de descaso com a educação e o sistema tradicional são fatores determinantes para a manutenção desse problema no país, o que precisa ser modificado. A princípio, o Ministério da Educação (MEC) deverá tornar seus critérios de avaliação de alfabetização mais rígidos, de forma que os analfabetos funcionais não sejam considerados alfabetizados, para que os índices de educação sejam mais realistas e o Estado invista mais no ensino básico. Ademais, o MEC e as Secretarias de Educação deverão adotar nas escolas o sistema construtivista -inspirado em Piaget-, por meio de uma mudança na grade curricular, para que o aluno participe ativamente de seu aprendizado e desenvolva sua capacidade cognitiva plenamente, pois assim a alfabetização será efetiva e ainda interessará os alunos nas atividades escolares.