Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 25/03/2019

O analfabetismo funcional se caracteriza pela incapacidade do indivíduo em compreender, não apenas textos, mas o próprio mundo. Dessa forma, o desenvolvimento pessoal, intelectual e profissional do cidadão é extremamente prejudicado. Nesse sentido, a precariedade dos colégios brasileiros, conjuntamente com a didática de ensino insatisfatória, fomentam o número de analfabetos funcionais. Fatos como esses demonstram a ineficiência ou inexistência de políticas públicas voltadas ao tema e evidenciam a necessidade de se discutir acerca das alternativas para reduzir a problemática em questão no Brasil.

É importante pontuar, de início, que a baixa qualidade das instituições de educação, somada à falta de estruturação das escolas brasileiras, elevam os índices de analfabetismo funcional, porquanto, segundo o filósofo Jhon Locke,  “o homem é uma tábula rasa” e todo processo do conhecer, do saber e do agir é adquirido pela experiência. Desse modo, a escola exerce papel preponderante no desenvolvimento do indivíduo, visto que a maior parte da sua juventude é vivenciada no educandário. Por conseguinte, a má formação do aluno faz com que, ao terminar o ciclo básico e migrar diretamente para o mercado de trabalho, ele apresente muitas deficiências que dificilmente serão sanadas. Informações como essas ajudam a explicar porque, de acordo com Ricardo Patah - presidente da União Geral dos Trabalhadores de São Paulo -, nem metade das 4000 vagas de emprego oferecidas pelo sindicato no início de 2018 foram preenchidas devido à falta de proficiência dos candidatos em provas.

Ainda, é importante pontuar que, o despreparo dos professores, aliado à ausência de técnicas de pedagogia, dificultam a alfabetização do aluno. Os educadores, ao não colocar em prática uma didática de ensino que incentive a leitura crítica dos estudantes desde os primeiros anos, tornam eles suscetíveis a desenvolver uma atrofia cognitiva referente ao processo interpretativo, sendo improvável a correção do problema na fase adulta. Circunstâncias análogas auxiliam a explicar poque, segundo dados divulgados pela “Folha de S. Paulo”, um terço da população brasileira entre 15 e 64 anos são considerados analfabetos funcionais.

Por tudo isso, faz-se necessário que haja uma mobilização da sociedade com vistas a diminuir os problemas relacionados ao tema. Para tanto, o Poder Executivo, junto ao Legislativo, devem aumentar a verba destinada às escolas públicas, por meio da criação de uma Emenda Constitucional, para melhorar a infraestrutura escolar e proporcionar condições favoráveis à alfabetização das crianças. Outrossim, o governo deve melhorar a preparação dos professores, por intermédio da criação de cursos de capacitação sobre educação primária, a fim de estimular a criticidade dos estudantes.