Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 25/03/2019

A História marca eventos nos quais o acesso à educação era, anteriormente, restrito a grupos de minorias específicas, geralmente sinônimos de poder hierárquico social. A exemplo dos Jesuítas, representantes da Igreja Católica figura desse expoente de detenção do conhecimento, quando desembarcaram no Brasil com a missão de catequizar os indígenas, nasce na então Terra de Santa Cruz o conceito de processo educacional. Entretanto, apesar de hoje a maior parte da população brasileira ser alfabetizada, essa aparentemente não se demonstra suficiente quando diante de situações que exijam mais que apenas a leitura per se.

Levando em consideração o fato de que o acesso à educação consta nos ditames dos Direitos Humanos e, desse modo, faz parte do dever do Estado para com sua população, espera-se dos governantes a adoção de medidas para mediar essa acessibilidade, especialmente quando esta impacta diretamente no desenvolvimento do país. Além disso, em virtude da maior competitividade do mercado de trabalho nos processos seletivos, cada vez mais é requerido do indivíduo a compreensão da complexidade de situações cotidianas pelo uso das língua e linguagem, o que exige do candidato maiores competências interpretativas do que somente uma compreensão superficial da “big picture”. Como resultado disso, grande parte das atividades econômicas do país ficam concentradas nos setores primário e secundário de produção, bem como o mercado informal tende à horizontalidade.

Similarmente, no campo da política, quando Maquiavel escreveu seu legado de conhecimento de Governo, O Príncipe, ele se dirigia ao Estado, obedecendo à escala hierárquica de acesso educacional da época. E por mais que atualmente a grande maioria dos brasileiros possue alcance desse conteúdo tanto em escrito como em outros formatos de apresentação, quando são postos diante de uma situação de decisão política não dispõem de argumentos para defender um ponto de vista plausível, como revelado por pesquisas realizadas ao longo do ano eleitoral de 2018 por jornais televisivos e periódicos.

Assim sendo, é notório que o simples acesso à educação não se demonstra suficiente para formar por completo a capacidade crítica de um indivíduo. Portanto, a falta da prática, nesse caso, configura a inabilidade do uso pleno da língua como ferramenta, e, por conseguinte, prejudicando a compreensão da realidade e suas transformações ao longo do tempo. Dessa forma, cabe ao Estado por intermédio dos Ministérios da Educação e da Cultura a instauração de medidas que atinjam a sociedade tanto escolar quanto fora desta, por meio de incentivo à leitura e aplicação a situações-problema, a fim de desenvolver a capacidade cognitiva de sua população e contribuir para a construção de sua identidade enquanto história.