Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 24/03/2019
“No Brasil subtrai-se; somar, ninguém soma”- afirmava o escritor pré-modernista Monteiro Lobato a respeito da consciência individualista nacional. O analfabetismo funcional é a capacidade de saber ler, mas não captar integralmente o teor do que lê. A infraestrutura e metodologia precárias do ensino básico e fundamental junto ao péssimo hábito de não ler da sociedade são fatores cruciais para o analfabetismo funcional no Brasil.
Sabe-se que no Brasil, de acordo com dados do IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística) há cerca de 14 milhões de Analfabetos absolutos e mais de 35 milhões de Analfabetos funcionais. Segundo a música “Tô ouvindo alguém me chamar” de Racionais MC’s, “Pela janela da classe eu olhava lá fora/ A rua me atraía mais que a escola”. Assim, uma das principais causas que levam as pessoas ao analfabetismo é falta de motivação , inexistência de estrutura física da parte das escolas, dos laboratórios de ciências e informática, da biblioteca atualizada geram essa supressão de motivação. É preciso de uma mudança metodológica, a escola precisa estimular a interpretação, o raciocínio, a procura por solução de problemas e uma estrutura pedagógica diferenciada, em que o aluno possa aplicar os conhecimentos e verificar ali imediatamente o quanto daquele conteúdo vai ter influência na vida prática.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2001 e 2011, o domínio pleno da leitura caiu de 22% para 15% entre os que concluíram o Ensino Fundamental II, e de 49% para 35% entre os que fizeram o ensino médio. Tal situação evidencia a urgência de um investimento eficiente, consistente e focado nos anos iniciais; é neles que todo o problema começa, mas também é neles que a solução deve nascer. Consoante a Tábula raza de John Locke, filósofo inglês, o homem é como uma folha em branco que é preenchida ao longo da vida. Portanto, é inquestionável que o hábito da leitura desde a infância é essencial para um desenvolvimento pleno da interpretação textual.
Destarte, é indiscutível que medidas são necessárias para solucionar o impasse. O CAPES pode enviar estudantes de pós-graduação em letras, para encontros mensais nas escolas, principalmente com a educação infantil, desenvolvendo oficinas de interpretação textual, a fim de que as crianças criem o hábito junto ao prazer pela leitura. Os Governos Estadual e Municipal, por meio de eventos interdisciplinares e explorando temas transversais, pode convocar autores de livros da região e especialistas da área de linguagens para orientar a sociedade sobre a importância da leitura e interpretação textual para a vida intelectual, social e cotidiana. Só assim os brasileiros aprenderão, também, a somar.