Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 24/03/2019

No período Colonial Brasileiro, a vigente alfabetização nativa no território era unicamente jesuítica e coercitiva, assumindo, portanto, o seu retrógrado caráter lecional.Hodiernamente, mesmo com o passar dos séculos e com a educação laica, nota-se ainda a persistência de um atrasado e frágil modelo educacional, no que concerne ao grande número de analfabetos funcionais no país, fato esse impulsionado pelo desinteresse populacional e a omissão do Estado.

É importante ressaltar,a princípio, que a falta de engajamento do corpo social brasílico corrobora o andamento da problemática.Isso ocorre porque, com o desenvolvimento da Revolução Tecnológica e Informacional dos séculos XX e XXI,a partir da demanda consumista, os meios digitais -como jogos e redes sociais- acabaram por dominar as massas e seus cotidianos, modificando a esfera política vigorante.Sob esse viés, com o atrativo progresso das máquinas, acarretou-se na preferência de tais mecanismos em detrimento dos hábitos de leitura e interpretação,transmitindo uma visão tediosa e monótona dos costumes alfabetizantes.Dessa maneira, como uma sociedade omissa, a capacidade crítica dos indivíduos e a alfabetização funcional na pátria se enfraquecem.

Outrossim, a negligência do Governo é o principal fator para a perpetuação da problemática.Isso porque, apesar do Artigo 6º da Carta Magna assegurar o direito à educação e dignidade dos cidadãos, tal deliberação não acontece; haja vista que, muitas escolas ainda não possuem projetos que viabilizem a promoção da interpretação textual e nem investimentos suficientes para a compra de materiais e contratação de profissionais capacitados,propagando,infelizmente, um lecionamento desigual e tênue, no qual aprende-se a ler e não ler-se para aprender.Desse modo, com a passividade governamental, torna-se árdua a promoção legal de um direito inerente ao humano.

Portanto, de acordo com os fatos supracitados, faz-se mister a atuação do Estado e da Escola no combate do empecilho.Com isso, o Governo Federal em parceria com o Ministério da Educação, deve, por meio do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa(PNAIC), implementar maiores investimentos nas escolas, como a contratação de professores qualificados, projetos que incentivem a leitura e a busca pelo conhecimento,além de regulamentos que fortifiquem tais propostas, a fim de atenuar o analfabetismo funcional e levar igualdade ao ensino público.Não obstante, à escola, compete implantar em sua carga horária, aulas que misturem tecnologia,leitura e interpretação textual com o fito de atrair os alunos e criar aulas mais interativas, permitindo um maior interesse na alfabetização funcional.Por fim, o retrocesso do ensino característico da época jesuíta não se manterá nas instituições formadoras de cidadãos letrados.