Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 24/03/2019

O analfabetismo funcional é uma realidade no cenário educacional brasileiro e isso demonstra que um percentual expressivo dos estudantes conseguem ler e escrever, mas não conseguem utilizar a leitura para aprender e, assim, não conseguem interpretar textos, organizar ideias e dissertar acerca de um determinado assunto. Credita-se a culpa deste imbróglio a várias vertentes educacionais ou sujeitos ativos do processo de aprendizagem, afinal ora a culpa é do modelo de ensino-aprendizagem, que não mais reprova o aluno, ora a culpa é do professor, que acusam de não ensinar corretamente, e ora é do próprio estudante, que, diante de novas tecnologias, está mais “preguiçoso” em aprender.

Um fato é que, independente da escola ser pública ou privada, ambas procuram, ao máximo, não reprovarem os seus alunos, seja pelas políticas educacionais vigentes ou pelo fato deste aluno ser financeiramente rentável para a instituição. Acredita-se que essa política em se evitar reprovação seja uma tentativa para se melhorar os números da educação brasileira junto às avaliações internacionais de educação, especialmente os números do analfabetismo. Essa tentativa, frustrada e claramente falha, mascarou os números de analfabetos no país, fazendo surgir uma classe de analfabetos funcionais e uma classe de alfabetizados básicos, os quais, desde 2015, são considerados intermediários ou elementares. Isso demonstra que o percentual de alfabetizados proficientes, àqueles que conseguem interpretar textos, organizar ideias e discutir sobre, corresponde a um valor exíguo da população com faixa etária dos 15 aos 64 anos.

No que diz respeito ao trabalho docente, tem-se de informar que esse profissional não é valorizado no país e assim, por vezes, tem de trabalhar em diversos empregos, como forma de subsistência. Claramente sua dedicação ao ensino não é eficaz e este profissional não consegue observar e trabalhar as deficiências e competências de cada estudante, o que termina por, muitas vezes, desestimular o mesmo, aumentando a evasão escolar. Some-se a isso que, atualmente, vive-se uma era tecnológica, em que se tem acesso fácil a diversas informações, o que pode ter tornado o estudante menos pró-ativo e menos participativo e/ou responsável pelo seu processo de aprendizagem, afinal não é difícil encontrar trabalhos plagiados de sites como Wikipédia.

É complicado fornecer soluções para o problema do analfabetismo funcional no Brasil, o que se pode inferir é que há uma necessidade de se repensar a veracidade dos números da educação e reestruturar as políticas educacionais. Tem-se, ainda, que valorizar a carreira docente de modo que o professor consiga ser mais produtivo, dedicado e motivado. E, quanto ao estudante, tem de torná-lo pró-ativo e responsável tanto pelo processo de aprendizagem quanto pelos seus atos.