Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 25/03/2019

Na obra “Vidas Secas”, Graciliano Ramos demonstra a marginalização social do personagem Fabiano pela sua dificuldade em se expressar de forma oral. Dessa maneira, é possível inferir que a exclusão pela linguagem abrange diferentes formas de intolerância. Nesse sentido, o analfabetismo funcional formula um ciclo de discriminação que distancia os indivíduos do exercício pleno da cidadania.

Em primeira análise, é necessário entender que o analfabeto funcional é o indivíduo que, mesmo alfabetizado, apresenta dificuldade de interpretar textos e realizar operações matemáticas mais complexas. Dessa forma, o analfabetismo funcional reflete uma falha do sistema educacional brasileiro. De acordo com dados do IBGE, a maior parte dos analfabetos funcionais do Brasil se encontra na região Nordeste, a qual possui um histórico de sucateamento econômico. Em decorrência desses fatores, ocorre uma visão equivocada do Nordeste como atrasado em relação às outras regiões. Assim, o personagem Fabiano, da obra modernista, representa o nordestino estigmatizado e reprimido pelos obstáculos em sua comunicação. Assim, o analfabeto funcional passa a sofrer preconceitos que se manifestam como violência simbólica e social.

Como consequência da segregação causada pelo analfabetismo funcional, os brasileiros afetados por esse problema tornam-se afastados do exercício da cidadania, uma vez que não conseguem interpretar, por exemplo, propagandas políticas, exposições de arte e nem se desenvolver como deveriam no ambiente de trabalho. Isso pode ser sintetizado no pensamento de Paulo Freire de que o processo de alfabetização plena só se dá quando o alfabetizando relaciona as palavras com as possibilidades  do mundo e desperta para a criticidade. Nesse sentido, o pedagogo sugere que a educação alfabética nunca se encerra e não universalizá-la em âmbito nacional promove uma ausência da democracia. Dessa maneira, a injustiça social se torna mais abrangente por dificultar o acesso à cidadania, como em casos jurídicos, em que o linguajar é verborrágico e distante dos cidadãos.

É notável, portanto, que o analfabetismo funcional está associado à desigualdade social existente no país. Para que esse problema seja resolvido, é importante que o Ministério da Educação torne as escolas mais inclusivas, com o uso de recursos audiovisuais que facilitem o ensino da língua portuguesa, das suas variantes e da matemática, de maneira a promover um maior acesso dos brasileiros às linguagens, o que reduzirá a evasão escolar e democratizará a cultura. Além disso, as escolas podem promover maior integração com a comunidade familiar por meio de atividades aos finais de semana, de modo a ensinar não somente os alunos da instituições de ensino a apreciar mais a leitura, de forma que a alfabetização seja mais abrangente.