Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 25/03/2019
A necessidade e o interesse de controlar os recebimentos e pagamentos realizados pelos templos e palácios, bem como a circulação de produtos (trigo, animais e utensílios), isto é, a necessidade de resolver problemas práticos do dia a dia, deu origem a escrita ainda no mundo antigo, que não estava desvinculada da leitura e da interpretação. Nos dias atuais, com o advento da globalização, as pessoas continuamente precisam resolver problemas de mesma ordem, além de outros mais elaboradas. No entanto, devido as más condições de formação escolar, associadas ao descompromisso familiar, os brasileiros de modo geral apresentam uma deficiência leitora-interpretativa.
A escola primaria é, sem duvidas, o principal órgão destinado a formação de alfabetizados em nível pleno, que são justamente aqueles, que em teoria, sabem ler e interpretar os mais diversos textos formulados em sua língua nativa. Entretanto, em virtude da precariedade das escolas as quais são marcadas pela baixa infraestrutura, não contanto, por exemplo, com biblioteca e outros espaços destinado a praticas leitoras e por depender de profissionais os quais a didática não contemplam a leitura; a formação de pessoas plenamente alfabetizadas é comprometida. Esse fato é comprovado anualmente quando o INEP anuncia a quantidade significativa de candidatos que zeram a redação exatamente por não compreenderem a proposta de redação.
No brasil, segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro, 50% das pessoas entrevistadas declaram não ler livros por não conseguirem compreender seu conteúdo, embora sejam tecnicamente alfabetizados. Essa característica da sociedade vai totalmente de encontro à lógica do aprendizado, tendo em vista que a pratica da leitura, mesmo que inicialmente confusa, seja um dos principais caminhos para a alfabetização funcional. Como esse fato é social e tem um base de iniciação, fica evidente que muitas vezes a família não estar participando da educação escolar dos filhos pois, em verdade, é o ambiente familiar o principal criador de bons hábitos para o cidadão, que, entre outras coisas, visa seu desenvolvimento intelectual, pessoal e profissional.
Verifica-se, dessa forma, que a redução do analfabetismo funcional está intimamente associada a um ambiente escolar desenvolvedor da prática leitora. Para isso, é relevante que se crie métodos que priorizem o letramento dos estudantes em todos os níveis de ensino e em todas as matérias e é de suma importância a criação de escolas com bibliotecas e espaços destinados a leitura, infraestrutura que deve contar contar com o planejamento de professores e diretores e custeada pelo estado. Além disso, engana-se quem acredita que cabe somente a escola o papel de alfabetizar as crianças e jovens, de fato, essa tarefa deve contar com o total incentivo a criação do habito leitor pela família dos jovens.