Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 24/03/2019
O analfabetismo funcional - disfunção atrelada à dificuldade de compreensão de textos com níveis de cognição simples - impede um desenvolvimento intelectual satisfatório e, consequentemente, social em um país onde as taxas são alarmantes. O Brasil possui 30% de sua população enraizada nesse impasse conforme dados divulgados pelo Indicador do Analfabetismo Funcional, expondo a necessidade de promover alternativas que reduzam tamanho problema educacional e também político. Nesse viés, faz-se necessário a discussão sobre a ausência de métodos educacionais que proporcionam o progresso da leitura aliada à ineficácia de políticas públicas que atingem essa parcela coletiva e que reflete, amplamente, a desigualdade social.
Em primeira análise, vale ressaltar a importância de estabelecer estratégias e ferramentas estudantis que viabilizem a evolução da leitura dentro e fora das escolas brasileiras. A falta de bibliotecas no ambiente escolar e de aplicação obrigatória de atividades extracurriculares - que permeiam o estudo sobre a interpretação de texto - impossibilitam uma progressão concreta no campo da leitura tanto em nível de ensino básico como superior. Com isso, há maiores chances de sujeição do cidadão à manipulação política, econômica e social além do largo contato com a desinformação, os golpes e as notícias falsas. Segundo pesquisa feita pelo BBC News Brasil, as dificuldades dos usuários das redes sociais em estabelecer o discernimento de conteúdos falsos e verdadeiros estão associadas ao analfabetismo funcional.
Ademais, parte desses analfabetas funcionais estão inseridos em ambientes distantes das zonas urbanas e não possuem acesso às escolas e assim, muitos - por falta de condições financeiras - não conseguem consolidar seus estudos e, consequentemente, sua alfabetização eficiente. Dessa maneira, a falta de políticas públicas que tangenciem essa população demonstra uma verdadeira falha no sistema de aplicação dos direitos humanos. Conforme o Conselho Nacional de Educação, o abandono escolar está relacionado às pessoas que moram em situações de extremas dificuldades de acesso ao transporte e ao ambiente estudantil.
Assim, percebe-se a indispensabilidade da promoção de medidas que minimizem as causas e os efeitos do analfabetismo funcional em larga escala no Brasil. Dentre elas: a adoção de uma nova matéria no Banco Nacional Comum Curricular, que dedique o estudo sobre a interpretação de texto, pelo Ministério da Educação, a fim de impulsionar o desenvolvimento interpretativo dos alunos em formação com a ajuda de workshops de leitura e atividades praticadas em grupos. Além disso, o acesso gratuito ao transporte para alunos que moram em locais distantes deve ser priorizado pelo governo.