Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 24/03/2019

Ciclo de percalços

Segundo Immanuel Kant,filósofo prussiano, “A educação é o maior e mais difícil problema imposto ao homem”. Nessa perspectiva, torna-se evidente que o conhecimento didático e acadêmico têm o papel primordial na construção de uma conjuntura multifacetada. Entretanto, no Brasil, esse tipo de educação demonstra percalços em sua gênese, pois cerca de 29% da população jovem e adulta são considerados analfabetos funcionais,ou seja, são incapazes de compreenderem textos simples, conforme dados realizados pelo IFAN (Indicador do Alfabetismo Funcional) 2018.

Indubitavelmente, a educação é o fator principal no desenvolvimento de um País. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente.Contudo, a realidade diverge com essa projeção e o resultado desse contraste é claramente refletido no alto percentual de analfabetos funcionais, que diante de inúmeros percalços, dentre eles, o descaso de alguns docentes com os discentes, fruto de uma sobrecarga que não permite que os professores forneçam atenção necessária com caráter singular aos problemas acadêmicos que o aluno apresenta, contribuindo para a marginalização. Soma-se a isso a ausência de psicopedagogos em instituições públicas de ensino, para auxiliar os estudantes que apresentam algum déficit na aprendizagem não se sentirem inábeis, assessorando o mesmo no desempenho de atividades que otimizem seus resultados e fomente seu interesse e participação escolar.

Faz-se mister, ainda, salientar a desigualdade social como impulsionador do analfabetismo funcional no Brasil, pois a evasão escolar está diretamente ligada a situação econômica, que em muitos casos é estimulada pelos genitores devido à necessidade da família de obter uma renda mínima, segundo uma pesquisa realizada no ano de 2012 pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Logo, seria imprescindível atuação de ONGs como APAE (Associação de Pais e Amigos Excepcionais) que atuem nas escolas e bairros de modo a promover essa consciência coletiva da importância da educação Íntegra como impulsionador social, que erradica a existência de um ciclo de imbróglios.

Infere-se, portanto, que para atenuar essa problemática, é fundamental a atuação do Ministério da Educação com a implementação de programas que visem garantir o acompanhamento do aluno a fim de que haja não só a literacia tradicional, como também a de informação, cívica, literária,entre outros. A esfera municipal, que deve ter como prioridade a educação fundamental, deve investir na qualidade de ensino, por meio de uma boa infraestrutura escolar, de programas pedagógicos pluralizados e da não sobrecarga dos docentes, para assegurar acompanhamento dos alunos.