Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 25/03/2019
De acordo com o filósofo Immanuel Kant, “a educação é o maior e mais difícil problema imposto ao homem”. Embora a frase seja antiga, ainda reflete problemas presentes atualmente. Um deles é o analfabetismo funcional no Brasil. Mesmo o número de analfabetos tenha diminuído, ele ainda assombra até mesmo estudantes do ensino superior.
Segundo uma pesquisa realizada pelo Inaf no ano passado, cerca de 38 milhões de brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais no país. Ou seja, três em cada dez pessoas. Esse problema pode ser desenvolvido logo na infância, com a falta de incentivo a leitura e interpretação nas escolas e, principalmente, no âmbito familiar, visto que muitas das vezes acredita-se que a alfabetização é um papel que deve ser executado somente dentro da sala de aula. A criança não possui o costume de ler, escrever e realizar problemas matemáticos, e acaba perdendo a capacidade de interpretação. Contudo, existe outros fatores que estão relacionados a essa questão.
A educação brasileira é elitizada. Não há educação de qualidade para todos, principalmente para pessoas de baixa renda. Daqueles que possuem renda familiar de até um salário mínimo, 38% são considerados analfabetos funcionais, enquanto esse número cai para 6% dentre aqueles com renda familiar superior a cinco salários mínimos. Não se pode ignorar que a etnia também é um fator agravante. Os números são mais expressivos entre a população que se denomina preta/negra: 29% desses podem ser considerados analfabetos funcionais, enquanto o valor é de 23% entre os pardos, e 14% entre os brancos.
A maneira mais eficaz de erradicar esse problema é o letramento e uma maior influência a leitura, interpretação de textos e exercícios matemáticos. A alfabetização funcional precisa ser integrada logo na infância, portanto, se já desenvolvida essa capacidade de compreensão desde cedo, o número de pessoas sem a alfabetização tende a ser menor futuramente.
É necessário que exista um trabalho em conjunto entre pais e professores para mudar esse cenário. Se engana quem pensa que isso é uma tarefa apenas da escola, ou apenas da família. Afinal, o letramento é uma prática presente em diversas situações do cotidiano. Além disso, ele também pode estar relacionado ao desenvolvimento da criticidade e capacidade de elaborar opiniões diante dos conteúdos acessados, o que prepara para enfrentar os problemas sociais no futuro. A aprendizagem deve ser um direito de todos, e a qualidade deve ser a mesma para pessoas de todas as etnias e rendas. Somente dessa maneira, o analfabetismo funcional poderá deixar de ser uma realidade presente, ou, pelo menos, poderá ser menos frequente no Brasil.