Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 25/03/2019
“O analfabeto não sabe de nada /Não lê as notícias que vem nos jornais /O analfabeto é um papagaio Só fala porque ouve outro falar.” . O trecho da canção “O Analfabeto” de Moreira da Silva ,lançada no século 20, aborda a realidade dos analfabetos e as dificuldades que eles encontram para conviver socialmente. Mesmo após um século, essa tema é ,infelizmente, uma realidade no país. o analfabetismo funcional,o qual se reflete na incapacidade de interpretar e ler textos, perpetua-se no país gracas à banalização dessa problemática e ao descaso do Governo. Dessa forma, é indubitável a necessidade de buscar alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil.
Em primeiro lugar, combater a ideia de que analfabetismo funcional é uma situação normal de cada sociedade é imprescindível para diminuir os índices desse problema. Segundo Pierre Bourdieu, cada sociedade apresenta o próprio Habitus, ou seja, um conjunto de pensamentos,os quais são perpetuados. Entre esses, encontra-se ,no Brasil, a cultura de banalizar o analfabetismo e suas consequências ,como a ampliação da violência e dos trabalhos informais,uma vez que o indivíduo tem a suas possibilidades de emprego reduzidas. A partir dessa normatização, tanto as autoridades,como também o próprio analfabeto, não enxerga essa situação como um problema real, o que contribui,efetivamente, para a ampliação dessa condição. A ilustrar tal situação caótica, pode-se citar o fato de que ,segundo a BBC,,três entre cada dez brasileiros são analfabetos funcionais. Logo, alterar essa cultura é uma alternativa viável para reduzir esses índices.
Em segundo lugar, a despreocupação do Governo em relação a educação também contribui para o analfabetismo funcional no país. De acordo com Aristóteles, ser político não é apenas ocupar um cargo, é defender os interesses e buscar o bem-estar social. Entretanto, essa não é,infelizmente, a realidade da política brasileira. Ao não investir em educação- segundo o Tribunal de Contas do Estado,em 2016, não foram respeitados os repasses mínimos para essa área- o Estado permite que ,cada vez menos, o brasileiro tenha a possibilidade de desenvolver a capacidade de ler e resolver cálculos,por exemplo, uma vez que a escola e sua estrutura não são propícias. Consequentemente, o analfabetismo funcional instala-se e perpetua-se no Brasil graças ao descaso governamental.
Portanto, a fim de buscar alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil, a escola deve impedir a perpetuação da cultura de banalização dessa condição por meio de palestras-ministradas por educadores renomados- as quais afirmem a importância de saber ler e interpretar textos a partir de exemplos e de uma linguagem acessível ao público com o intuito de mitigar a normatização do problema . Dessa maneira,o país não será mais o reflexo da música de Moreira da Silva.