Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 28/04/2019

No livro Urupês, Monteiro Lobato nos apresenta a figura do analfabeto Jeca Tatu, um sujeito estagnado social e educadamente pelas intempéries de um desgoverno. Hoje, um século depois de sua publicação, o dilema do analfabetismo ainda vigora no país, contudo, com outra face: o analfabetismo funcional. Tal problema, é fruto de um ensino fragilizado e mecanizado e pela insuficiência das tecnologias na educação no país.

A priori, é necessário a compreensão da dimensão que o analfabetismo funcional assumiu na população. Segundo dados do Indicador de Analfabetismo Funcional, 29% dos brasileiros são analfabetos funcionais. Esses números preocupam, pois tais indivíduos sem capacidade de interpretar textos e realizar operações simples apresentam seu desenvolvimento social comprometido. Ainda, é necessário apontar que o frágil e mecânico sistema educacional, restringido a uma visão binária “alfabetizado e não alfabetizado” e centralizado em compreender códigos linguísticos e seus significados, com pouca ênfase no contexto, interpretação e relações entre as palavras é uma das problemáticas. Tal estrutura mecanizada de ensino não consolida as habilidades de reflexão durante a leitura dos textos.

Outrossim, as tecnologias na educação, consideradas como ferramentas de apoio, são poucos utilizados, o que problematiza a questão. Afinal, como disse Paulo Freire, a tecnologia faz parte do desenvolvimento natural dos seres humanos e para afirmação da sociedade. Desta forma, além da garantia desse desenvolvimento a inserção de aparatos tecnológicos pode contribuir grandemente para a erradicação do problema, pois é uma forma trabalhar questões que calçam a anafalbetização, como o acesso as escolas e o desinteresse nas aulas.

Logo, o analfabetismo funcional é um entrave no desenvolvimento social e intelectual dos indivíduos e merece ações corretivas imediatas. No cenário educacional, é dever do Ministério da Educação, rever as metodologias de ensino dos professores e voltá-las para consolidação de habilidades de interpretação textual e relações das palavras com o mundo. Ainda, cabe as escolas, instituir oficinas, palestras e atividades de leitura e interpretação na grade escolar, assim como, inserir as tecnologias no contexto escolar. Ademais, os governos precisam amplificar o ensino a distância como formar de resgatar aqueles que abandonaram o ensino. Finalmente, as esferas governamentais devem massificar campanhas de incentivo à leitura e interpretação de textos.