Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 28/04/2019
Série de degraus
Segundo a etimologia da palavra, educar significa elevar, conduzir a um patamar superior. Contudo, esse direito fundamental não é difundido de maneira igualitária no Brasil, haja vista que o analfabetismo funcional ainda é decorrente na sociedade. Ademais, esse problema é reforçado pela precariedade do modelo de ensino público.
Em primeiro lugar, nos anos 60, Paulo Freire colocou em prática, com sucesso, sua metodologia de alfabetização em adultos para combater o analfabetismo no Nordeste. Tal projeto ia além da decodificação dos códigos linguísticos e conectava o conteúdo ao cotidiano do indivíduo, o que tornava o aprendizado mais fácil. Contudo, as escolas hodiernas persistem em submeter os alunos à um modelo de ensino robotizado que não analisa as condições destes. Além disso, apesar de o Governo disponibilizar escolas públicas àqueles sem condições financeiras, estas encontram-se em estado precário, com professores desmotivados devido ao fato de serem desvalorizados, o que compromete a alfabetização do estudante.
Em segundo lugar, a grande quantidade de disciplinas com conteúdos extensos e fora do contexto dos estudantes promove o desinteresse destes, principalmente os de classes sociais mais baixas, que estudam em instituições públicas desprovidas de ferramentas tecnológicas que auxiliam o aprendizado, diferentemente das escolas privadas. Somado a isso, o método pedagógico centrado somente na sala de aula encontra-se ultrapassado a muito tempo. A escola peripatética desenvolvida pelo Aristóteles, filósofo da Grécia Antiga, transcendia ao ambiente de quatro paredes. Ademais, denominado Liceu, o estabelecimento de ensino apresentava conteúdos teóricos, práticos e produtivos, os quais eram ensinados não só em locais fechados, como também ao ar livre.
É necessário, portanto, não só promover uma reforma nas instituições de ensino público, mas também modificar o método de educar. Para isso, os governos estaduais e federais devem investir no reconhecimento dos professores, aumentando o seu salário e, junto ao Ministério de Educação oferecer novos cursos a fim de ampliar sua qualificação profissional. Outrossim, a grade escolar e a metodologia de ensino devem ser reavaliados, para embasá-los nos modelos de Paulo Freire e Aristóteles, para que assim, o ensino público se assemelhe na eficácia do privado.