Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 28/04/2019
“Um país se faz com homens e livros” foi o que disse o autor Monteiro Lobato, destacando o papel da alfabetização no progresso das sociedades. Apesar disso, no panorama nacional, percebe-se uma crescente permanência de analfabetos funcionais, formando indivíduos com pouca capacidade de se posicionar e de exercer a sua cidadania. Assim, torna-se necessário analisar tal quadro, intimamente ligado a aspectos educacionais e socioeconômicos.
É importante ressaltar, em primeiro plano, que a falta de interesse dos alunos na escola torna o aprendizado falho. Nesse contexto, o atual modelo escolar tecnicista se desenvolveu na Revolução Industrial, em que o objetivo prioritário não era formar cidadãos críticos, mas funcionários às fábricas locais. Esse modelo se mantém com poucas alterações, sobretudo na rede pública, não se adaptando aos alunos do século XXI e as tecnologias que os integram. Em meio a isso, uma reforma escolar faz-se necessária, pois a sociedade só evolui à medida em que se aperfeiçoa o sistema educacional.
Por conseguinte, é fato que a evasão é um dos principais entraves para o avanço escolar no Brasil. Isso ocorre, na maioria dos casos, pela condição financeira do estudante, que precisa começar a trabalhar para complementar a renda da família. Essa realidade remonta ao documentário cearense “Nunca Me Sonharam”, em que o jovem lamenta a desesperança dos pais em seu futuro estudantil, ligados à crença limitante de que a pobreza não permite a ascensão social. Infelizmente, a situação prevista no filme é o caso de muitos brasileiros, perpetuando-se um ciclo de pobreza e exclusão, que mantém as disparidades sociais no país.
Comprova-se, portanto, a importância de priorizar investimentos ligados à educação, cabendo ao MEC qualificar o ensino desde a etapa básica. Além disso, o Estado, em parceria com a iniciativa privada, deve fornecer programas gratuitos de letramento aos indivíduos que já saíram da escola, além de incentivos à leitura e à busca pelo conhecimento, por meio de projetos, seminários e debates estudantis. Expandidas, então, as oportunidades para se obter uma formação intelectual, o analfabetismo funcional deixará de ser uma limitação do indivíduo, abrindo-se caminhos à busca de suas realizações pessoais.