Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 07/06/2019
Para Paulo Freire, pedagogo e filósofo brasileiro, a alfabetização só é plena se ela formar indivíduos aptos a relacionar as palavras com o mundo ao seu redor, e compreender seus papéis de atores sociais. Análogo a isso, a taxa de analfabetismo absoluto - refente a frequência escolar - apresenta queda, no entanto, os números do analfabetismo funcional estão estagnados e altos, decorrentes da má distribuição das escolas e da deficiência na transmissão do aprendizado, é necessário reverter esse quadro para um melhor panorama social e educacional.
Outrossim, de acordo com o Indicador de Analfabetismo Funcional - INAF - o índice de analfabetos funcionais - pessoas que sabem ler e escrever, mas não desenvolvem criticidade sobre a leitura, ou seja, não sabem interpretar textos - ultrapassa 20% do número de brasileiros e abrange cerca de 30% de universitários, destituindo a ideia de que está ligado à baixa escolaridade. Decorrente disso, o papel do EJA - Educação de Jovens e Adultos -, como modalidade educacional voltada para indivíduos fora da escola convencional, é fundamental na resolução dessa problemática. No entanto, sua atuação é reduzida quando nota-se a pouca oferta de vagas, menos de 5% da demanda, e a má distribuição com a centralidade desses núcleos, que por não serem remanejados para bairros mais periféricos dificultam o ingresso de pessoas que trabalham durante o dia, e precisam pagar uma passagem extra no transporte público para chegarem a esses centros, gerando baixa frequência nas aulas.
Por outro lado, é necessário reformular o método de ensino e adequá-lo ao público mais adulto, não ensinando apenas a montar blocos de palavras, mas sim a interpretar textos, a usar gêneros textuais adequadamente e analisar criticamente o que se lê. Além disso, quando há uma educação abrangente e completa toda sociedade é beneficiada com seus resultados, pois ao criar um senso de criticidade, as propagações das fake news são atenuadas, melhora o desenvolvimento intelectual, profissional e pessoal do indivíduo, e todo âmbito social no qual se está inscrito, em suma, parafraseando Kant, é na educação que está o aperfeiçoamento da humanidade.
Por isso, é imprescindível, a atuação do Governo Federal por meio do Ministério da Educação ao proporcionar oficinas de leitura em escolas e workshops para professores aprenderem a adequar e aperfeiçoar os métodos de ensino voltando-os a uma educação crítica. Faz-se necessário, no entanto, a redistribuição dos centros do EJA para bairros periféricos, aumentando sua disponibilidade e acessibilidade, e também a implementação de cursos no nível superior, como um ciclo básico que ensinaria os universitários a analisarem criticamente o que leem, e prepará-los para textos acadêmicos, assim haverá mais indivíduos com consciência de sua atuação social no âmbito nacional e mundial.