Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 09/06/2019

Promulgada em 1988, a Constituição Federal garante a todos o acesso à políticas educacionais que formem o ser como cidadão e que promovam a erradicação de iletrados. Entretanto, nota-se que a presença do analfabetismo funcional da sociedade brasileira impede que isso ocorra na prática, devido não só a defasagem do sistema educacional, como também à indiferença governamental perante a alfabetização continuada.

Inicialmente, é válido reconhecer a precariedade da estrutura pedagógica brasileira no estudo da problemática. Acerca disso, observa-se o conceito de razão comunicativa, criado por Jürgen Habermas para descrever as ações baseadas no nível de diálogo e interpretação de determinadas situações. Nesse contexto, o despreparo do corpo docente em desenvolver as habilidades de leitura e compreensão textual, que são fundamentais na formação cultural, compromete o agir comunicativo e sustenta  pensamento acrítico na sociedade. Desse modo, torna-se visível a necessidade de mudanças no modelo educacional  para enfrentar o analfabetismo.

Além disso, a desvalorização governamental acerca da continuação da alfabetização também pode ser apontada como obstáculo para a redução do analfabetismo no País. De acordo com o IBGE, apenas 12% da população possuem capacidade de se expressarem plenamente, o que comprova a ausência de incentivos governamentais ao processo de letramento continuado. Tal cenário possibilita a exclusão das camadas mais pobres de ocupações laborais que exijam domínio das habilidades de escrita e favorece a depreciação das condições de vida desses grupos.

Fica evidente, portanto, que são necessárias medidas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil. Logo, é imprescindível que o Estado, como instituição responsável pelas políticas educacionais, promova a reestruturação do meio pedagógico, mediante ampliação de investimentos, para que o corpo docente possa auxiliar indivíduos a desenvolver habilidades de leitura num processo de letramento continuado. Assim,  mais brasileiros poderão se expressar de forma plena por letras e números.