Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 18/07/2019

Conjuração Funcional

Ainda que com fortes ideais revolucionários e de luta por igualdade social, a Conjuração Baiana no século XVIII foi rapidamente retaliada pelo governo em virtude do índice majoritário de analfabetos adeptos ao movimento emancipacionista brasileiro. O fato histórico, dessa forma, abre espaço para análise da influência da educação na sociedade e como ela pode ser utilizada como veículo de transformação. No entanto, ainda hoje o Brasil é detentor de um alarmante número de analfabetos funcionais. Esses, por sua vez, tornam-se vítimas vitalícias da ausência de políticas constantes e consistentes em prol de tal problemática educacional.

Em primeira análise, cabe ressaltar que os setores de investimento ferem diretamente a progressão de projetos educacionais para o analfabetismo funcional. O déficit econômico que abrange tal setor, é hoje responsável pela defasada educação básica oferecida pelas redes municipal e estadual. Como em Capitães da Areia, romance de Jorge Amado, a classe juvenil brasileira é ainda fadada à negligência governamental diante da educação de base. Perante do trauma vivido no primeiro contato com a escola, - ou até mesmo ausente, como no caso da obra modernista - a incompleta alfabetização de crianças e adolescentes, propulsiona a estagnação na aprendizagem e, desencadeia a formação de adultos de baixa escolaridade e desenvolvimento intelectual.

Além disso, as políticas de resolução do analfabetismo funcional apresentam-se inconsistentes diante do contexto nacional em que a problemática se encontra. Com isso, vai de contrapartida ao modelo proposto por Napoleão Bonaparte no Consulado, visto que o então primeiro-cônsul acreditava ser uma boa formação educacional, a receita para o desenvolvimento econômico de uma sociedade industrial. Contudo, com a mudança entre uma gestão e outra, programas como o EJA (Educação para Jovens e Adultos) são ainda fragilizados pela ausência de profissionais e infraestrutura adequada. Dessa maneira, a superlotação das salas de aula e o despreparo pedagógico acabam por vitalizar o aprendizado dos mais maduros, de modo a coibir sua esperança de ascensão no mercado de trabalho.

Urge, portanto, a atenção dos setores educacionais e econômicos quanto à questão do analfabetismo funcional no Brasil. Diante do exposto, o MEC deve incluir maior verba em programas que já realizam trabalhos em prol de tais melhorias, tal como o Brasil Alfabetizado, a fim de potencializar a formação básica dos mais maduros, sendo eles as maiores vítimas do problema em questão. Assim, diferente da Bahia do século XVIII, todo o contemporâneo território brasileiro poderá reverter o atual cenário usando como arma a educação e promover uma revolução, sobretudo, intelectual e cultural.