Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 24/07/2019
No contexto social brasileiro, segundo resultados do Indicador do Analfabetismo Funcional (Inaf), 38 milhões de pessoas entre 15 e 64 anos são analfabetas funcionais. Esse dado evidencia um alarmante problema social, uma vez que transparece a ineficiente função das escolas na sociedade, bem como a a desvalorização das bases educacionais iniciais. Logo, urgem ações engajadas dos agentes adequados com o escopo de minimizar essa adversa realidade no Brasil.
Inicialmente, ressalta-se que o papel da escola na sociedade é falho, na medida em que o cidadão não é formado para relacionar e aplicar ativamente os ensinamentos obtidos em aula na vivência em comunidade. Consoante o célebre pedagogo Paulo Freire, no sistema de ensino não se deve apenas depositar conhecimento, ele precisa ser direcionado para que o indivíduo tenha autonomia. De modo análogo, percebe-se que o analfabeto funcional perde essa liberdade, tendo em vista que não consegue interpretar textos ou formar censo crítico a respeito do que foi lido. Com isso, tal circunstância reflete não só prejuízos pessoais ao aluno, mas também potencializa a disseminação de fake news diante da incapacidade da filtragem de informações.
Outrossim, embora programas como a Educação de Jovens e Adultos possibilitem uma redução desse quadro de analfabetismo funcional, tal medida apresenta-se insuficiente, uma vez que é notória a desvalorização de bases educacionais iniciais que evitariam essa situação brasileira. Nessa perspectiva, é recorrente que o indivíduo isento de fundamentos sólidos sobre matérias elementares, como português e matemática, perpasse o ensino fundamental e médio sem absorver efetivamente algum conhecimento, chegando ao ensino superior despreparado para a impactante realidade do mundo acadêmico. Por conseguinte, além da dificuldade de conclusão de um curso superior por essas pessoas, tal fato inviabiliza a saída de um profissional qualificado para atuar no mercado.
Destarte, é essencial promover alternativas parar atenuar esse cenário de analfabetismo funcional no país. Para tanto, é impreterível que a escola direcione aos alunos a aplicação prática dos conhecimentos obtidos em sala de aula, mediante metodologias educacionais eficientes que incentivem a capacidade crítica do indivíduo, com o fito de reduzir os índices de analfabetismo funcional e possibilitar a autonomia da pessoa, evitando a disseminação de fake news, inclusive. Concomitantemente, é imprescindível que o Ministério da Educação valorize as bases primárias de formação, como a do ensino fundamental, por meio da ampliação de programas voltados à essa fase do ensino, a fim de evitar que o analfabetismo funcional seja ampliado na comunidade e viabilizar o ingresso de pessoas qualificadas nas universidades.