Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 27/08/2019

Segundo a ótica pedagógica e humanista de Paulo Freire, pensador patrono da educação brasileira, educar é um ato de coragem, pois possibilita ao indivíduo o livre pensamento e a libertação das correntes que o prendem. Contudo, no Brasil, a visão romantizada do autor é contrariada pela  problemática do analfabetismo funcional - o fato do indivíduo não ter a capacidade de interpretar adequadamente o que lê - que configura-se um revés e instiga o debate sobre as alternativas e caminhos para reduzir esse quadro. Assim, é lícito afirmar que a ineficiência estatal e a postura inerte de parte das famílias colaboram para tal adversidade.

Em primeiro plano, evidencia-se, por parte do Estado, a ausência de políticas públicas educacionais  que trabalhem para melhorar os índices de compreensão leitora. Essa lógica é comprovada pela baixa atenção que a modalidade de ensino para Educação de Jovens e Adultos (EJA) recebe dos Governos Federal e Estaduais. Somado a isso, o estudo da linguagem e interpretação, no currículo convencional do ensino fundamental e médio da rede pública, não é devidamente priorizado, o que leva o aluno a avançar na vida escolar sem um bom nível de leitura. Desse modo, o Estado atua como agente perpetuador do analfabetismo funcional. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Outrossim, é imperativo pontuar que a conduta inerte de parcela das famílias também deve ser levada em conta, uma vez que não é um traço cultural comum brasileiro estimular a criança a entrar em contato com a leitura. Dessa forma, ao não ser encorajada a adentrar o universo da literatura, o sujeito cresce sem praticar as habilidades necessárias para evitar o analfabetismo funcional. Nesse sentido, ao falar sobre a importância do encorajamento para formar cidadãos, John Locke, filósofo britânico, diz em sua obra ‘‘Ensaio Sobre o Entendimento Humano’’: ‘‘O ser humano é como uma tela em branco preenchida por experiências e influências’’. Destarte, ao trazer a perspectiva do pensador para o analfabetismo funcional, nota-se a primordialidade de prevenir o infortúnio mediante o estímulo.

Infere-se, portanto, que é papel do Estado e da família trabalhar para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil. Posto isso, o Ministério da Educação, órgão máximo da educação pública no país, deve, por meio de pedido de verba suplementar, aumentar os repasses destinados ao EJA nas unidades federativas, a fim de formentar o programa com o aumento e treinamento de professores especializados em analfabetos funcionais. Junto a isso, o MEC deve também, mediante portaria específica, deve propor um novo currículo na disciplina de português nas escolas, que priorize a interpretação de texto. Ademais, tal Ministério deve realizar, nas escolas, palestras destinadas aos responsáveis, a fim de conscientizar sobre a importância de incentivo à leitura.