Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 29/08/2019
“Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que não veem, cegos que vendo não ver”. O excerto romance “Ensaio sobre a Cegueira” de José Saramago, critica, por meio do uso de metáforas a alienação de uma sociedade que se torna invisual. Fora do universo literário, tal obra atemporal não foge da cegueira contemporânea, na qual o tecido social brasileiro não enxerga as alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil. Nesse aspecto, dois fatores são relevantes: a inobservância governamental e a questão cultural.
Em primeira instância, convém frisar que o descaso estatal promove subterfúgio ao quadro vigente. Nesse ínterim, o filosofo Rosseau, no contexto da Revolução Francesa, afirma o papel do Estado em garantir igualdade jurídica. Contudo, a prática deturpa a teoria, embora seja promulgada na Constituição Federal o direito à educação, isso não ocorre em virtude que o ensino no Brasil ainda é precário. Além disso, a falta de engajamento para a rotina de leitura em ambientes escolares potencializa o impasse do analfabetismo funcional, segundo o site administradores menos de 10% da população tem o domínio e interpretação da leitura. Desse modo, é inadmissível que com as altas taxas de impostos e tributos cobrados no país o poder público não seja capaz de garantir uma alfabetização de qualidade.
Em segunda instância, não obstante, vale ressaltar que a questão cultural corrobora para a persistência do empecilho. Nesse viés, estereótipo de “alfabetizado é quem sabe ler e escrever” compõe o processo problemático do analfabetismo funcional, uma vez que há o equívoco com o analfabetismo. De maneira análoga, a sociedade, então, por tender a incorporar as estruturas sociais que são impostas à sua realidade, conforme defendeu o sociólogo Pierre Bourdieu, naturalizou e reproduziu o pensamento ao longo do tempo como algo normal e passível de soluções. Dessa forma, é inaceitável que a atual conjuntura brasileira tenha comportamentos tão retrógrados.
Infere-se, portanto, que o analfabetismo funcional representa um impasse a ser combatido. Para tanto, cabem as escolas, atrelado ao Ministério da Educação, criarem um projeto de aprendizado na rede de educação para toda a população. Essa ação, será realizada por professores de português com o fito de ensinarem e melhorarem a interpretação dos alunos, por intermédio de aulas administradas durante uma vez na semana aberta ao público para que tenha um maior alcance, no fito de melhorarem o aprendizado da malha social. Para mais, é necessário o Governo Federal reduzir os impostos de livros, construírem mais bibliotecas públicas nos municípios e distribuírem literatura em PDF gratuitas a fim de incentivarem a prática da leitura. Desse modo, a cegueira dita por Saramago será combatida.