Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 23/09/2019
“Eu vejo o futuro repetir o passado. Eu vejo um museu de grandes novidades. O tempo não para”. Os versos entoados pelo cantor e compositor Cazuza ratificam a inevitabilidade do tempo e o modo como esta acontece, sublinhando que a história se repete onde a hipocrisia e os pensamentos retrógrados se enraizaram na face brasileira. Nesse sentido, observam-se concepções arcaicas que inviabilizam alternativas para reduzir o analfabetismo funcional, seja pela inexistência de planejamentos governamentais educativos, seja pelo preconceito existente na sociedade. Diante disso, é fundamental entender a problemática para atribui-lhe formas de combate.
Em primeira análise, nota-se a insuficiência básica educacional no âmbito civil, justificada pela ausência de investimentos públicos nas instituições de ensino. De acordo com o contratualista John Locke, o contrato social ocorre quando os indivíduos transferem seus direitos ao governo, com intuito de usufruir de uma vida confortável. No entanto, é possível observar uma violação desse “contrato social”, uma vez que o Estado impossibilita a promoção e a diversificação de programas amparativos direcionados à contenção do analfabetismo funcional, motivada pela insignificância dada ao tema nos planos administrativos. Dessa forma, verifica-se a fragilidade da jurisprudência no que se refere aos recursos disciplinares no território nacional.
Outro aspecto existente está no julgamento enraizado diante dos iletrados no sistema coletivo. Segundo Friedrich Nietzche - filósofo existencialista - a essência do comportamento humano puramente submisso reflete sobre os valores da civilização. Isso implica dizer que, devido à postura passiva, os cidadãos incorporam pensamentos pré-estabelicidos, tornando-se disseminadores de ideias pejorativas e discriminatórias contra os desprovidos de conhecimento, tomando como exemplo, a exclusão desses sujeitos do convívio público que dificulta sua plena evolução social. Sendo assim, é mister promover uma reconfiguração na conduta da sociedade.
Infere-se, portanto, a necessidade de promover alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil. Para tal, o Poder Executivo, como instância suprema da execução de direitos, deve atuar em parceria com as ONGs em favor da população, a partir da rigidez com os estados e municípios para a estimulação de propostas para combater o aumento de leigos incultos, através de fiscalizações e comissões, com a finalidade de fortalecer o acesso ao conhecimento como mecanismo de progresso pessoal e coletivo. Em paralelo, cabe ao Ministério da Educação promover formações socioeducativas aos estudantes, com o desígnio de gerar pessoas mais tolerantes com a realidade. Sob esse viés, poder-se-á restringir, de fato, a distopia da música de Cazuza.