Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 25/09/2019

O analfabetismo funcional é uma forma de analfabetismo na qual, apesar de o sujeito dominar as faculdades técnicas de escrita e leitura, essas ainda são precárias e incompletas, havendo falhas na interpretação, contextualização e sistematização. A partir desse esclarecimento, emergem debates acerca dos seu prejuízo para a população a curto e longo prazo, sobretudo em um mundo no qual o conhecimento é o principal aglutinador e gerador de capitais culturais, sociais e econômicos. Nesse sentido, torna-se vital adotar uma postura de combate ao analfabetismo funcional no Brasil, seja pelas consequências à vivência cidadã, quanto aos impactos na marginalização do indivíduo.

No que concerne ao primeiro ponto, é válido salientar que o indivíduo tem sua voz social reduzida e é esquecido nas decisões sociais da comunidade em que vive quando vitimado pelo analfabetismo funcional. Para elucidar esse ponto, é válido trazer o pensamento do célebre autor Monteiro Lobato, o qual cunhou a frase “quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê”. Desse contexto, infere-se que o sujeito ao possuir essa carência perde sua representatividade perante a sociedade, destacado no trecho “…mal ouve, mal fala…”, assim, ele perde seu poder opinativo e deliberativo ao não está totalmente a par do universo dos universalmente letrados. Outrossim, essa situação se agrava especialmente no Brasil, onde 3 a cada 10 pessoas são analfabetas funcionais, segundo dados da revista “Época”.

Já em relação ao segundo ponto, é relevante ressaltar que a leitura está intimamente ligado à vivência cidadã e, portanto, qualquer empecilho a sua ocorrência compromete a cidadania. No tocante a essa questão, o romance “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, relata o caso de fabiano que, por não dominar a esfera da leitura e escrita, não consegue fazer uma leitura crítica do mundo a sua volta, fazendo-se alvo da alienação de outrem. De modo análogo, ocorre com vítimas do analfabetismo funcional, no qual a incompleta formação do senso crítico possibilita a perda substancial da autonomia e da liberdade pelo sujeito, de modo submeter-se os jugos de outro visto como superior.

Defronte ao que foi apresentado, cabe uma reflexão acerca de medidas capazes de reverter o quadro de analfabetismo funcional no Brasil. A respeito disso, o Ministério da Educação, em parceria com as secretarias de educação, devem coordenar projetos de alfabetização e emancipação social a nível regional. Isso pode ser feito por meio da ampliação da Educação de Jovens e Adultos (EJA), mapeamento de populações mais vitimadas por essa problemática e inclusão da educação ética e cidadã nos currículos dos programas, tendo em vista o pensamento do pedagogo Paulo Freire de que “educação não muda o mundo; educação muda as pessoas que transformam o mundo”. Tudo com o objetivo de sanar o mal do analfabetismo funcional e salvaguardar a população do seus prejuízos.