Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 28/09/2019

No filme Central do Brasil, a atriz Fernanda Montenegro interpreta uma mulher idosa que se sustenta financeiramente através da transcrição de cartas para os passageiros numa estação de trem que têm dificuldades na escrita. Tal desconhecimento afeta inúmeras pessoas as quais, muitas vezes, têm noções básicas de leitura e escrita, contudo não possuem as habilidades de interpretar e produzir textos, situação conhecida como analfabetismo funcional. Desse modo, essa incapacidade pode trazer empecilhos na vida profissional e pessoal do indivíduo e, por isso, faz-se necessário discutir acerca do que se fazer para mudar esse cenário.

Primeiramente, é impossível não relacionar essa disfunção na língua portuguesa com a precariedade do ensino brasileiro. Segundo um levantamento exibido no Jornal da Record em 2016, mais de 30% dos que possuem formação de nível superior não são aptos a ler e escrever da maneira adequada. Logo, é possível concluir que sendo a maioria dos brasileiros com a escolaridade até o ensino médio, o analfabetismo funcional é relativamente maior se considerarmos a população em geral, fato que demonstra a ineficiência das instituições educacionais do país.

Por conseguinte, é questionável a performance dos profissionais que, mesmo especializados, não possuem habilidades de escrita e leitura no nível esperado. Nesse sentido, na falta da interpretação textual -ferramenta que é crucial para a maioria das profissões-, pode haver deficiências na execução do trabalho ou até mesmo desemprego, tendo em vista que mesmo qualificados no quesito escolaridade, podem ter dificuldades para criarem um vínculo empregatício por obterem tais dificuldades. Ademais, essa problemática afeta o indivíduo quando o mesmo, não sabendo interpretar, é limitado para a formação de um pensamento mais elaborado, crítico e de cunho ideológico, por exemplo, tornando-o, com mais facilidade, passivo às informações que recebe.

Portanto, é fundamental fomentar ações para atenuar essa questão do país. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação (MEC) utilizar-se dos exames de avaliação de ensino como o Enade, que é aplicado ao final da graduação, e o ENEM, aos formandos do ensino médio, para avaliar as instituições cujos alunos possuem carência nas competências de elaboração e interpretação textual, tendo as que não obtiveram nível adequado seus métodos pedagógicos revisados e aprimorados, espelhando-se nas melhores escolas e universidades e auxiliados por pedagogos especializados do MEC.