Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 01/10/2019

Desde a invenção da tipografia criada pelo alemão Gutemberg, no século XV, foi proporcionada a disseminação de informações por meio da escrita, a qual foi responsável por mudar a história da leitura. Não obstante, a proficiência leitora e escritora tornaram-se uma das características essenciais no desenvolvimento social e intelectual dos indivíduos. Entretanto, o expressivo quadro de analfabetismo no Brasil configura-se como uma das realidades mais desfavoráveis na prosperidade de um país, o que se deve a fatores como a inflexibilidade educacional e a fragilidade socioeconômica da população.

É importante considerar, de início, a permanência de um panorama social desequilibrado como campo fértil para a manutenção do analfabetismo. A esse respeito, de acordo com a sociologia durkheimiana, o sujeito, mais que formado da sociedade, é um produto dela. Sob esse prisma, o indivíduo, ao estar imerso em um contexto marcado, muitas vezes, pela miserabilidade e pela necessidade de integração precoce ao mercado de trabalho, acaba, por vezes, sustentando uma realidade de evasão escolar, o que, de fato, reflete negativamente no desenvolvimento de seu letramento. Essa realidade é reverberada nas pesquisas divulgadas pelo IBGE, nas quais constatou-se que mais de 11% dos jovens entre 15 e 17 anos estão fora das escolas, panorama esse, que potencializa a inviabilidade de uma expressiva alfabetização no país.

Outrossim, é factível que a estruturação rígida educacional é igualmente fator para os agravos do analfabetismo na sociedade. Nesse sentido, quando o educador Paulo Freire afirma que a escola não deve se distanciar da vida cotidiana de seus participantes, evidencia-se a necessidade de um engajamento letrado em consonância com a realidade circundante dos alunos. Porém, na contramão dessa concepção, os parâmetros educacionais brasileiros, frequentemente alicerçados em padrões acadêmicos normativos e tecnicistas, deixam de contemplar mecanismos mais resilientes no direcionamento das competências leitoras e escritoras dos jovens, tendo em vista, por exemplo, um quadro de leituras de textos e livros destoantes, muitas vezes, do contexto sociocultural desses.

É imperioso, portanto, mecanismos energéticos no embate dessa problemática. Assim, cabe ao Ministério da Educação proporcionar a elaboração de diretrizes escolares mais flexíveis na efetivação da alfabetização da população. Isso pode ser concretizado por intermédio da criação de novos materiais acadêmicos convergentes com a realidade social dos alunos, como livros em consonância com a linguagem regional, e teria a finalidade de estabelecer uma aprendizagem interpretativa mais dinâmica e valorativa. Tal flexibilidade curricular, poder-se-á, gradativamente, recuperar a viabilidade de uma alfabetização mais holística e consolidar a importância da invenção de Gutemberg.