Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 30/09/2019
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz, em suas “Memórias Póstumas”, que não teria filhos, a fim de nunca ter de transmitir os legados das misérias humanas. Analogamente, a falta de planejamento estatal nos investimentos da educação associado a um governo desinteressado no ensino populacional, enquadram-se no posicionamento da personagem, uma vez que se constituem como desafios a serem superados para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil. Assim, é necessário discutir os aspectos políticos e sociais da questão, em prol do bem-estar social.
A priori, é importante destacar a forma como o governo utiliza a verba pública para investir na educação da sociedade. A esse respeito, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Fazenda, atualmente, o Brasil investe cerca de 6% do PIB na educação, valor superior ao dos Estados Unidos. Entretanto, o modo como o dinheiro está sendo utilizado não demonstra resultados satisfatórios, tendo em vista que, apesar dos investimentos superiores, o Brasil ficou atrás dos Estados Unidos no Programa de Avaliação de Alunos (PISA). Em suma, a atual diretriz estatal encontra-se em crise, haja vista o dinheiro que esta sendo injetado na educação e seu baixo retorno.
A posteriori, é substancial discutir à falta de interesse governamental no ensino e suas consequências. Nesse sentido, segundo Paulo Freire, educador e filósofo Brasileiro, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Nesse contexto, conforme dados disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 4 a cada 10 jovens de 19 anos não concluíram o ensino médio. O estudo aponta como principais responsáveis a falta de estabilidade e a baixa qualidade no ensino que os alunos recebem. Em síntese, a irresponsabilidade estatal com a educação é a principal responsável pela falta de mudança da sociedade.
Dessa forma, medidas exequíveis são necessárias para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil. Com o intuito de transformar a sociedade mediante a educação e para que os investimentos no ensino gerem cada vez mais resultados, urge que o Estado, especificamente o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, um ensino médio mais eficiente e completo, na qual as cargas horarias de estudo sejam estendidas para abordar todas as áreas do conhecimento de forma criativa e intuitiva, com aulas fora das salas que mostrem aos alunos como o conhecimento se aplica na vida real. Dessa maneira, a sociedade irá tornar-se mais justa e coesa e deixará um legado que Brás Cubas se orgulharia em transmitir.