Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 14/10/2019
A Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 1988, garante a todos o direito à educação. No entanto, embora essa garantia constitucional tenha colaborado para um aumento do alfabetismo, é notória a quantidade de indivíduos egressos das escolas com limitações de interpretação de textos simples bem como solucionar problemas matemáticos elementares. Dessa forma, é premente estabelecer medidas públicas objetivando corrigir essa falha que permeia o sistema educacional brasileiro.
Em primeira análise, cabe ressaltar que as instituições de ensino são parte do problema. Segundo dados do INAF (Indicador de Alfabetismo Funcional), três em cada dez brasileiros são analfabetos funcionais. Isso ocorre porque, muitas vezes, os colégios preocupam-se apenas em transmitir o conteúdo das disciplinas sem sequer discutir o tema abordado. Nesse contexto, os educandos são confrontados com informações abstratas e longe de sua realidade, tendo a falsa sensação de aprendizagem. Assim, infere-se que a falta de um projeto de ensino calcado no estímulo do raciocínio lógico implica em um educação com ínfima eficiência prática.
Outrossim, destaca-se a falta de estímulo do Poder Público como agravante da questão. Conforme o filósofo Immanuel Kant, esclarecimento significa a saída do homem de sua menoridade, isto é, a capacidade de fazer uso da razão sem a orientação de outrem. Por conseguinte, é possível deduzir que a falta de compromisso público no enfrentamento do analfabetismo funcional está intrinsecamente ligado a um projeto de Estado que visa formar pessoas acríticas, com o fito de manipular o comportamento dos cidadãos. Destarte, observa-se que há um entrave proposital o qual impede uma parcela significativa da sociedade de alcançar sua maioridade.
Portanto, torna-se evidente que é fundamental combater essa mazela social no Brasil. Primeiramente, as instituições escolares devem proporcionar aos discentes uma educação mais relacionada à questões analíticas e argumentativas, por meio de aulas em grupo que estimulem o raciocínio lógico e a liberdade de ideias, a fim de promover uma melhora na capacidade de interpretação e na resolução de problemas matemáticos. Ademais, é imperioso que o Estado interfira na educação apenas de maneira técnica sob a figura do Ministério da Educação, cumprindo a Base Nacional Comum Curricular. Assim, será possível aplacar essa problemática e formar indivíduos mais esclarecidos.