Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 15/10/2019
Em sua obra “Vidas Secas", o escritor alagoano Graciliano Ramos expõe na linguagem de seus personagens uma problemática global – o vocabulário diminuto e a dificuldade de interpretação culmina em segregação social. Fora das páginas, é fato que a alfabetização também é necessária para a vivência em sociedade. No entanto, políticas públicas educacionais deficitárias alavancam os índices de analfabetismo funcional e deturpam a possibilidade de uma plena vivência da parcela populacional iletrada.
A princípio, reconhece-se como a negligência estatal perante o sistema público de educação amplia, negativamente, os índices de analfabetismo funcional. Segundo o contratualista John Locke, o Estado deve, por princípio, guarnecer qualidade de vida e educação a toda população a qual é submetido. Logo, se o governo não propicia políticas educacionais que visem a diminuição do analfabetismo, dados como do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- que revelam que, no Brasil, há cerca de 11 milhões de iletrados – tendem a continuar frequentes.
Outrossim, se o governo é faltante nesse setor, é praxe inferir que o brasileiro analfabeto também encontre dificuldade de se socializar. De acordo com o sociólogo francês Émilie Durkheim, a existência da socialização pressupõe comunicação, essa feita por meio da linguagem. Portanto, se a linguagem é diminuta igualmente a capacidade de interpretá-la, é inconcebível acreditar que os iletrados terão iguais chances de se inserirem no mercado de trabalho, de frequentarem instituições, ou até mesmo de compartilharem seus pensamentos, fatos que são narrados por Graciliano Ramos.
Destarte, torna-se ponto pacífico inferir que medidas governamentais são urgentes para diminuir a problemática do analfabetismo funcional. Para tanto, é mister que o Ministério da Educação crie sedes institucionais, nos mais variados locais, até mesmo em áreas remotas, que visem, por meio de aulas de Língua Portuguesa e interpretação de texto, dirimir a dificuldade que os indivíduos possuem de usar a linguagem. Desse modo, é passível de concepção uma sociedade na qual o governo se atente a causas basilares de anseio popular e que também assuma um papel dinâmico de sociabilidade a fim de que eventos, como os de “Vidas Secas", pertençam somente a obras de literatura nacional.