Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 24/10/2019
No filme “O Analfabeto”, lançado em 1961, é relatado a história de um homem que perdeu uma herança deixada por seu tio por não ter aptidão para ler a carta escrita por ele. Embora date décadas atrás, esse cenário ainda é comumente visto na sociedade pois, de acordo com o Jornal Época, três em cada dez pessoas são analfabetos funcionais no Brasil, e esse contexto ocorre devido a disponibilidade tecnologia e negligência estatal.
A priori, é válido ressaltar que o advento tecnológico é um meio facilitador para o crescimento do número de indivíduos com o analfabetismo funcional. A agilidade na obtenção de informações através das rápidas pesquisas que são possíveis com a internet, limitou o interesse na leitura – principal responsável por desenvolver a habilidade de compreensão de texto – e, por isso, a sociedade se torna apática em exercer essa prática. Prova disso é o levantamento realizado pelo Paulo Cardoso, professor de Filosofia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), onde afirma que leitura é encarada como necessária apenas para decorar a matéria para conseguir nota satisfatória para o ano letivo nas escolas. Esse cenário contrapõe o argumento do filósofo Immanuel Kant, o qual afirma que o ser humano é aquilo que a educação faz dele, portanto, a leitura é fundamental para combater os casos de analfabetismo funcional no Brasil.
Além disso, o lapso governamental no que tange os investimentos no nível básico de ensino agrava a conjuntura de analfabetismo no país. O educador Paulo Freire afirma, ao propor um novo método de ensino, que o aluno deve ser capaz de ler e de reescrever o mundo. Porém, há uma deficiência na aplicação dessa tese pelo sistema educacional brasileiro, visto que a verba destinada na ampliação e potencialização da rede de ensino é precária. Com isso, o Brasil está entre os países que menos investem com ensino primário, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e, por consequência, prejudica o desenvolvimento da nação e diminuição do analfabetismo funcional.
Portanto, é nítida a necessidade de políticas públicas para reduzir a quantidade de pessoas que se enquadram nesse cenário. Para isso, é necessário que as prefeituras das cidades promovam campanhas que incentivem a leitura, garantindo o entendimento dos alunos sobre a sua importância. Ainda, é necessário que o Ministério da Educação invista na rede de ensino primário, através da disponibilização de verba, a fim de aumentar a qualidade de ensino e, por conseguinte, permitir a compreensão dos alunos sobre a relevância da leitura. Com isso, O Brasil terá conhecimento sobre os impactos gerados pelo analfabetismo funcional e haverá maior desenvolvimento no gosto pela leitura.