Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 30/10/2019
O analfabetismo funcional é considerado como a incapacidade que uma pessoa demonstra ao não compreender textos simples. Embora o número de analfabetos tenha caído de 8% entre 2007 e 2008, segundo o IBGE, é inegável que essa problemática ainda é muito presente na sociedade brasileira. Nesse sentido, infelizmente, a falta de infraestrutura no ensino básico e de incentivo á leitura por parte da família têm, como resultado, a formação de indivíduos incapazes de reagirem, de forma crítica, perante situações do cotidiano.
Em primeiro plano, convém analisar as causas desse quadro. Sob esse viés, um levantamento feito pelo movimento Todos pela educação apontou que apenas, 45% das universidades escolares básicas têm todos os itens de infraestrutura previstos em lei. Com isso percebe-se que a negligência do Estado ao oferecer uma educação básica de qualidade, logo no início da alfabetização do indivíduo, provoca um déficit que resulta nessa incapacidade de compreensão que tende a continuar na fase adulta. Além disso, a falta de apoio familiar também agrava a problemática, pois, fora da escola, é responsabilidade dos pais acompanharem e incentivarem os filhos á leitura e, através desse descuido, privam essa camada da população de desenvolver mecanismos de interpretação de textos e números.
Consequentemente, os indivíduos com essa carência ficam mais vulneráveis diante dos desafios de viver em sociedade, sobretudo, a globalizada. De acordo com dados do Instituto Paulo Montenegro (Inaf), 86% dos analfabetos funcionais usam o Whatsapp, 72% o Facebook e 31% possuem conta no Instagram. Nesse contexto, infelizmente, esses usuários não podem usufruir de tais redes sociais em sua totalidade, como, por exemplo, para defender seus direitos, isto é, possuem acesso limitado por não conseguirem discernir conteúdos. Ademais, esses indivíduos também ficam suscetível à desinformação- manipulação, mensagens falsas e memes- porque a sua capacidade para checar dados, notícias e discussões sociais é restrita. Dessa forma, é evidente que essas consequências provocam um enorme prejuízo, não só ao indivíduo, mas também a sociedade.
Fica claro, portanto, que o analfabetismo funcional é um obstáculo que precisa ser contornado a fim de que o Brasil diminua, ainda mais, o percentual de analfabetos divulgados pelo IBGE. Para tanto, urge que o FNDE- Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, como autarquia federal responsável pelas políticas educacionais do MEC, promova uma reforma na infraestrutura da rede pública, com investimento a longo prazo e recursos provenientes de impostos e transferências dos estados, para, assim, proporcionar uma educação básica de qualidade a todos e mitigar os problemas ocasionados pela incapacidade da pessoa de interpretar informações elementares.