Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 26/10/2019

No livro “A hora da Estrela” de Clarice Lispector, escritora modernista, retrata os dilemas que Macabéa, protagonista, passa ao se mudar do Nordeste para o Rio de Janeiro, em decorrência do analfabetismo funcional, que a impossibilitava de conseguir trabalho e em diversas vezes a fazia ser enganada pelos demais personagens. Esse cenário contribui para a análise do analfabetismo funcional no Brasil, que ocasiona um retrocesso no desenvolvimento do país. Desse modo existem fatores que favorecem a existência desse entrave, como: a negligência governamental e o baixo incentivo à leitura.

Em primeira instância, a negligência governamental emerge como influenciadora dessa problemática. Sob esse ângulo, isso reflete no precário sistema público de ensino, haja vista que esse tem papel fundamental na formação de indivíduos que sabem escrever e interpretar textos. Todavia, isso destoa da realidade brasileira, dado que há no país 38 milhões de analfabetos funcionais, de acordo com o site Correio do Povo. Nesse sentido, é indubitável que o deficiente ensino público, consequência da falta de investimentos, atrasa o desenvolvimento social, amplia os bolsões de desigualdades e expande os índices de analfabetismo funcional.

De maneira análoga, o baixo incentivo à leitura apresenta-se como fator que auxilia na permanência da questão no país. Assim, pode-se citar o filme “A sociedade dos Poetas Mortos”, que demonstra como o professor Keating confronta os valores ultraconservadores da escola, e incentiva os alunos a lerem, tornarem-se críticos e tomarem suas próprias decisões. Entretanto, as instituições de ensino do país não estimulam, preocupantemente, os estudantes a lerem e a formarem grupos de leitura. Outrossim, esse entrave educacional dificulta a resolução do impasse.

Torna-se visível, portanto, que o analfabetismo funcional é um grande impasse para o desenvolvimento do Brasil e necessita de medidas para sua solução. Desse forma, faz-se necessário que o Governo Federal, juntamente com o MEC (Ministério da Educação), invista na educação pública e no incentivo à leitura, por meio de criações de bibliotecas novas e estímulo à formação de grupos de leitura que debatam sobre os livros lidos , a fim de excitar o hábito à leitura, e consequentemente criar alfabetizados críticos. É mister também que o ocorra o incentivo às escolas de, uma vez na semana, abrirem os grupos de leitura a idosos e a adultos, considerados analfabetos funcionais, estimulando-os a não só lerem mas também reduzirem os índices de analfabetismo funcional. Tais medidas visam combater a problemática de forma precisa e reduzir os números de Macabéas no Brasil.