Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 27/10/2019
Na década de 80, após deslizamento de terra na usina Angra I, os engenheiros descobriram que o nome do local, “Itaorna”, na língua Tupinambá significava da “pedra podre”. Analogamente, o fato infelizmente demonstra a deficiência dos brasileiros de ler e saber o que está escrito, algo que é chamado de analfabetismo funcional. Isso é causado pela falta de habito de leitura e ajuda a perpetuar a estratificação social, por isso, apresenta um problema a ser combatido.
Em primeiro plano, nota-se que o Estado não propicia as medidas necessárias para que a população tenha o hábito de ler, o que corrobora para o analfabetismo funcional. Nesse sentido, o livro “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood, retrata uma sociedade distópica em que mulheres são escravas sexuais e não podem ler. Nele, os letreiros são formados apenas por imagem. Similarmente, a falta de leitura provoca a diminuição da capacidade de interpretação e do senso crítico, consequentemente, torna o indivíduo suscetível a manipulação, assim como na obra de Atwood.
Ademais, é nítido que a língua é um instrumento de dominação social. Por conseguinte, o filósofo Émile Durkheim define fato social como todo instrumento capaz de determinar a maneira de agir do indivíduo. Sendo assim, a língua é um dos principais fatos sociais, pois a capacidade de interpretação daquilo que se ler é elitizada, o que marginaliza quem não a tem. Logo, o analfabetismo funcional é uma forma implícita de segregação e ajuda na manutenção de estratificação social, visto que a pessoa não consegue se comunicar completamente ao apresentar essa deficiência.
Portanto, urge que os ativistas dos Direitos Humanos promovam protesto na redes sociais que pressionem as prefeituras municipais a utilizar de verbas públicas a fim de promover, em praças, feiras literárias. Essas contariam com profissionais do setor pedagógico que auxiliariam a população no que tange ao problema por meio de aulas gratuitas e palestras acerca da importância de se alfabetizar funcionalmente. Além disso, cabe ao Ministério Público, com o uso de impostos arrecadados, veicular propagandas nas grandes emissoras de TV com intuito de incentivar a população a aderir o hábito de leitura para que o analfabetismo funcional não seja mais um problema.