Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 29/10/2019
Para o escritor do livro “Pedagogia do Oprimido”, também educador, Paulo Freire, a educação tem um papel fundamental e libertador na vida do indivíduo, de modo a transformar a sociedade. Entretanto, o aspecto educacional brasileiro está, cada vez mais, defasado, visto que o crescimento exponencial de analfabetismo funcional impede que a população usufrua do princípio estabelecido por Freire, ora pela falta de estímulo dos professores, ora pela evasão escolar.
De início, é importante ressaltar a necessidade do incentivo à leitura, por parte do corpo docente, aos alunos, para mitigar esse imbróglio. Sob esse viés, é evidente que, em virtude da má aplicação didática oriunda dos professores em sala de aula, não há êxito no acompanhamento pedagógico dos estudantes, bem como no interesse à leitura e escrita pelos mesmos. Esse quadro, diferente do pensamento freireano, apresenta características que vão de encontro ao contexto abordado no filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, no qual é apontado o modelo ideal profissional que estimula seus alunos à prática literária, criando o senso crítico e potencializando a busca pelos objetivos de vida através do estudo.
Outrossim, é fulcral pontuar, ainda, que a realidade de fuga nos núcleos de aprendizado contribui para a permanência do impasse, haja vista que é nítido que adolescentes que engravidam precocemente estão sujeitos ao abandono estudantil, sejam as mães por motivos psicológicos que enfrentarão nos elos familiares e, até mesmo, os pais pela pressão exercida sobre eles na procura de emprego, a fim de garantir estabilidade financeira à criança. Isso se torna mais claro, por exemplo, ao observar que, segundo dados do Ministério de Educação e Cultura (MEC), em 2016, a maior razão para a evasão escolar se deu pela gestação na adolescência. Desse modo, urge a indispensabilidade da mudança plena desse panorama.
Logo, incumbe ao Tribunal de Contas da União disponibilizar verbas para que, por meio do MEC, sejam realizadas criações de novas bibliotecas públicas com livros separados por eixos temáticos e faixas etárias, de maneira a garantir uma leitura mais dinâmica e espontânea, com o objetivo de que o cidadão adquira o hábito de ler e supere as dificuldades com a escrita. Além disso, o Ministério da Cultura deveria realizar projetos de atenção, como saraus, em comunidades que tenham maior índice de analfabetismo funcional, através de divulgações nas redes sociais. Feito isso, poder-se-á moldar a sociedade com a educação; como cogitado por Freire.