Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 29/10/2019

“Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que não veem, cegos que vendo não ver” O excerto do romance da obra modernista “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, critica, por meio do uso de metáforas, a alienação de uma população que se torna invisual. Fora do universo literário, tal obra atemporal não foge da cegueira contemporânea, na qual o tecido social brasileiro não enxerga o problema do analfabetismo funcional no Brasil. Nesse aspecto, dois fatores são relevantes: a inobservância governamental e a questão cultural.

Em primeira instância, convém frisar que o descaso estatal promove subterfúgio ao quadro vigente. Nesse ínterim, o filósofo iluminista Rosseau, no contexto da Revolução Francesa, afirmou o papel do Estado em garantir igualdade jurídica a todos. Contudo, a prática deturpa a teoria, uma vez que o governo não investe na educação, fato que comprova é 8 em cada 100 pessoas tem o domínio completo da leitura e produção de qualquer tipo de texto, segundo o site Administradores. Assim, atividades cotidianas como interpretação de documentos, leitura de bulas e manuais fica cada vez mais comprometida, além de dificulta a qualidade de vida do cidadão. Dessa forma, é inadmissível que com as altas taxas de impostos e tributos cobrados no país o poder público não seja capaz de garantir uma educação de qualidade.

Em segunda instância, não obstante, vale ressaltar que a falta de leitura potencializa o impasse. Nesse ângulo, com o surgimento da internet, durante a Guerra Fria, a malha social tem gradativamente trocado livros e cartas por leituras ‘’tweets", ‘‘whatsapp’’ e palavras com linguagens informais, o que se torna um problema, pois muitas vezes não ajuda a desenvolver o senso crítico, a capacidade interpretativa. Em consoante a isso, faz-se necessária a analogia com a obra “O Abapuru” da modernista Tarsila do Amaral, para a autora a representação da cabeça pequena significa a falta de criticidade do ser humano. Dessa maneira, baseados em pensamentos errôneos acerca do tema, é inaceitável que a malha social fique passível de soluções e cada vez mais se tornem parte dessa obra.      Infere-se, portanto, que o analfabetismo funcional representa um desafio a ser combatido na nação verde amarela. Para tanto, cabem as escolas, por serem instituições formadoras de opiniões, em parceria com o Ministério da Educação, criarem uma campanha contra o analfabetismo, por intermédio de um projeto nas redes de educação que ensinem interpretação, contas matemáticas, atividades complementares e escrita na norma padrão. Nessa ação, será composta por professores de português, com o intuito de combater tal mazela social e ajudar em uma melhor leitura a esfera social, para maior engajamento irá ser aberta a todo público. Dessa forma, a cegueira dita por Saramago será combatida.