Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 31/10/2019

O filósofo alemão Hegel, no século XIX, propõe uma analogia cujo teor auxilia a pensar nas questões sociais que envolvem o curso da história: “A coruja de minerva só voa anoitecer”. Nesse sentido, sua proposição revela que é preciso um decorrer de tempo a fim de que o Homem alcance sabedoria para lidar com suas questões problemáticas. Tendo isso em vista, pode-se perceber que, na contemporaneidade, os desafios para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil acentuam-se devido ao Estado falhar em assegurar com inteligência a universalização da educação no território nacional, de modo que os entraves se fortificam devido à negligência governamental no que tange a cultura da leitura. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.

De fato, há contratualmente a missão de a constituição ser cumprida por todos os governos. No entanto, podem-se perceber comportamentos omissos por parte do Estado, haja vista a precária rede pública de educação fundamentado no país, no qual o conteúdo programático é ministrado com falhas e a quantidade de professores disponíveis é mínima. Isso se torna mais claro, por exemplo, ao pontuar dados coletados pelo Plano Nacional de Educação, em 2017, no qual consta que apenas 4,7% das escolas obtêm estrutura adequada para comportar com dignidade os alunos. Logo, é substancial a alteração desse quadro que corrobora para a instauração do analfabetismo funcional no Brasil.

Além disso, é imperativo pontuar a participação do parco hábito de leitura como fator determinante para a continuação do analfabetismo. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do poeta brasileiro Mário Quintana, no qual ele conceitua que os verdadeiros analfabetos são os que aprendem a ler mas não leem. Assim, é cabível perceber as dificuldades enfrentadas pela população brasileira, sobretudo as que vivem a árdua realidade econômica do país, na obtenção de livros, seja pelos altos preços dos mesmos, seja pela falta de tempo advinda da extensa carga horária laboral. Dessa maneira, torna-se fulcral o intenso incentivo governamental no hábito de leitura de modo a minimizar essa problemática.

Por tudo isso, é mister que o Estado tome iniciativas com o objetivo de reverter os índices de analfabetos funcionais no país. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, juntamente ao Governo Federal criar, por meio de verbas governamentais, programas sociais que viabilizem a distribuição gratuita de livros em áreas marginalizadas socialmente, a fim de incentivar o hábito de leitura e combater gradativamente o analfabetismo. Além disso, cabe ao Governo Federal destinar um piso salarial do orçamento público para a contratação de novos professores destinados às redes municipais e estaduais de ensino, objetivando reduzir o falho cumprimento da grade curricular que prejudica o aprendizado estudantil. Desse modo, o Brasil será capaz de alçar o voo pretendido por Hegel.