Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 16/04/2020

Analfabetismo funcional é a incapacidade que uma pessoa demonstra ao não compreender textos simples ou realizar operações matemáticas mais elaboradas, mesmo sabendo reconhecer letras e números. De acordo com o INAF (indicador do analfabetismo funcional), 3 em cada 10 jovens adultos de 15 a 64 anos no país, são considerados analfabetos funcionais. Ainda que nos últimos 10 anos ocorreu uma estagnação nos índices, não há sinais de possíveis decréscimos nos números, denotando a necessidade de elaboração de medidas que combatam a problemática atual.

De 1890 até os dias atuais, ocorreram oito relevantes reformas educacionais no Brasil, mas mesmo assim, ainda está longe de se promover uma ruptura com analfabetismo funcional no país. Segundo o indicador, 29% dos brasileiros fazem parte de tal estatística. Deste total, 8% são analfabetos absolutos (aqueles que não conseguem ler palavras e frases) e os outros 21% estão no nível considerado rudimentar (conseguem ler mas não compreender). O elevado índice está ligado a falta de investimento do Estado em relação à educação, se revelando na baixa qualidade de ensino nas escolas públicas, deficiência de materiais didáticos, precariedade da infraestrutura, constantes greves de professores devido a falta de pagamento, levando a suspensão de aulas e na necessidade de uma melhor qualificação dos profissionais da área da educação.

Joseph Adsisson, poeta e ensaísta inglês, dizia que a leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo. Um dos motivos que levam os índices de analfabetismo no Brasil é o baixo índice de leitura. No ano de 2016, o Instituto Pró-Livro constatou que o brasileiro lê em média 2,43 livros por ano, não sentindo muito interesse pela leitura. Ler não é uma atividade estática mas dinâmica e precisa ser estimulada no meio social.

Estabelecida pela Constituição brasileira de 1988, a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, para que, assim, possa ser formados indivíduos capazes de exercer a cidadania e serem aptos ao mercado de trabalho. Em suma, compete ao Ministério da Educação investir na construção de mais escolas públicas e na infraestrutura das escolas existentes, desenvolvendo métodos que priorizem o letramento na educação básica e o incentivo para alfabetização de adultos e pessoas da terceira idade. Campanhas publicitárias devem ser formuladas, incentivando a leitura familiar e à ida a biblioteca. Com estas ações, atenuar- se- a, em médio e longo prazo, o impacto vivenciado na contemporaneidade.