Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 05/04/2020
Na música “Estudo errado”, de Gabriel o Pensador, há presença de uma crítica ao sistema de ensino tradicional, que é obsoleto e ineficiente, pois se trata de um meio desmotivador que não prepara para a vida em sociedade. De maneira análoga, o Brasil atual sofre com o ensino de baixa qualidade e o subsequente problema do analfabetismo funcional, que é intensificado pela falta de motivação dos professores, além de produzir uma maior massa de desempregados.
Nessa conjuntura, devido ao sucateamento que a educação sempre foi alvo, professores da rede pública ficam a mercê de indignos salários e uma infraestrutura precária para atuarem, deixando-os desmotivados. Essa situação pode ser um exemplo para a teoria do “Pacto de mediocridade”, criada pelo sociólogo brasileiro Darcy Ribeiro, no século passado. A teoria afirmava que o país vivia uma crise de educação na qual os professores fingiam que ensinavam, enquanto os alunos fingiam que aprendiam. Desse modo, cria-se uma situação de autossabotagem, que é um dos fatores responsáveis por moldar indivíduos doutrinados a decorarem dados - acreditando que é uma maneira de aprendizagem -, mas sem um senso crítico capaz de interpretar e desenvolver raciocínios complexos. Por conseguinte, esse analfabetismo funcional é motivador do aumento do índice de desemprego por falta de qualificação. Em 2018, a empresa de contratação de pessoas Manpower, publicou que, do total de desempregados do Brasil, 43% representava as pessoas que não tinham a mínima capacitação para o emprego, colocando o país em 2º lugar no ranking das nações com mais dificuldade para se empregar. Ou seja, esse retrato elucida muito a questão de que ir para a escola não significa aprender, pois hoje, milhões de brasileiros com diplomas de nível superior são considerados incapacitados, revelando que o analfabetismo funcional é um problema estrutural presente até mesmo nas instituições de ensino.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação promova condições melhores aos professores, com salários condizentes a sua função, infraestrutura com materiais de qualidade e premiações, como bonificações salariais para docentes de alunos que se destacam em provas nacionais, como a Prova Brasil e o famoso Enem. Também é fundamental que as instituições de ensino saiam do método rígido de ensino e proporcionem mais discussões e debates críticos durantes as aulas com o propósito de preparar seus alunos para a vida em sociedade e o mercado de trabalho. Só assim, com uma educação motivadora o Brasil poderá reverter a situação descrita na música de Gabriel, e formar uma população alfabetizada e capacitada para os postos de trabalho.