Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 25/04/2020

Durante o processo de síntese de uma proteína, mais especificamente na ‘‘decodificação do RNA’’, os ribossomos, pequenas estruturas dispersas no hialoplasma, são responsáveis por ‘’ler’’, três a três, a sequência de bases do RNA transportador, de maneira análoga ao cérebro humano na atribuição de significado às letras em palavras. Fora do contexto biológico, no que concerne ao combate aos impasses na concretização desse processo alfabetizante, é necessário, sobretudo, amparar o desempenho da educação básica no país e, invariavelmente, destituir as lacunas que segregam estudantes vulnerabilizados no aspecto educativo.

A priori, para todos os alunos, o ensino fundamental, tal qual o nome confere, é essencial para a construção de um bom desempenho futuro dos alunos, uma vez tido como alicerce educacional para as séries subsequentes. Em razão disso, tornam-se preocupantes os dados da ANA (Agência Nacional de Alfabetização), que avaliou que mais da metade dos estudantes do terceiro ano fundamental obtém nível insuficiente em provas de leitura. Nesse sentido, o ensino básico é um assunto urgente no combate ao analfabetismo funcional no país, segundo o economista inglês Arthur Lewis, ‘‘A educação nunca foi despesa, sempre foi investimento’’.

Outrossim, outro fator também carece ser analisado: o descaso do ensino público para com estudantes com transtornos de hiperatividade como o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), autismo em qualquer de seus mais variados espectros e, sobretudo, dislexia, prontamente conhecidos por comprometer atividades como a leitura e a atenção. No Brasil, o sistema ainda não transmite o amparo educacional necessário a esses indivíduos que, apesar de representarem parte significativa dos estudantes brasileiros (só com autismo mais de 2 milhões, segundo o Ministério da Educação), lamentavelmente, são marginalizados e somam a adversidade biológica com o desamparo escolar como impasses para a concretização de uma alfabetização de qualidade.

Desse modo, embora os estudantes brasileiros aprendam a ler e a escrever, empecilhos ainda distorcem a perspectiva de uma alfabetização funcional no país. Portanto, cabe à ANA, em associação com o MEC (Ministério da Educação), desenvolver uma cartilha de alfabetização que, por meio de uma didática inclusiva e atualizada conforme as pesquisas do próprio ministério, seja capaz de ensinar os alunos além das letras e sílabas e os insira, com especial amparo aos acometidos por TDAH, dislexia, entre outras condições, na realidade de leitores funcionais do contexto nacional para que, finalmente, sejam positivamente impactados os índices de alfabetização bem direcionada no país.