Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 26/04/2020

Durante o processo de produção de uma proteína, mais especificamente na chamada ‘‘decodificação de RNA’’, a função dos ribossomos, pequenas estruturas presentes no hialoplasma celular, é atribuir sentido, a partir da ‘’leitura’’ de três bases nitrogenadas por vez, aos códigos trazidos pelo RNA transportador, de maneira semelhante ao cérebro humano na interpretação de palavras. Fora do contexto biológico, no que concerne a medidas de combate aos impasses para a concretização desse processo alfabetizante, é necessário, sobretudo, amparar a educação básica nas escolas públicas e destituir lacunas que segregam alunos vulnerabilizados no aspecto educacional.

A priori, para todos os alunos, o ensino fundamental, tal qual o nome confere, é essencial para a construção de um bom desempenho escolar futuro. Sobre isso, dados da ANA (Agência Nacional de Alfabetização) revelam que mais da metade dos estudantes do terceiro ano fundamental atingem nível insuficiente em provas de leitura. Nesse sentido, amparar a causa do ensino básico se torna imprescindível na redução do analfabetismo funcional no país, segundo o economista inglês Arthur Lewis, ‘‘a educação nunca foi despesa, sempre foi investimento’’.

Outrossim, outro fator que também deve ser levado em consideração é, justamente, a natural desvantagem de estudantes com algum tipo de transtorno de hiperatividade como o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade), o autismo, em seus mais variados espectros, e dislexia, prontamente conhecidos por afetar a concentração e a atenção, essenciais no processo de leitura. No primeiro livro da Saga Percy Jackson e os Olimpianos, o personagem principal, que é disléxico, narra exatamente essa dificuldade de encontrar significado nas letras que, por vezes, aparentam mover-se de lugar quando ele as tenta decifrar. Infelizmente, essa é a realidade de muitos estudantes brasileiros, segundo o Ministério da Saúde, só com autismo, são mais de 2 milhões de crianças no país.

Desse modo, embora aprendam a ler e escrever, para os brasileiros, empecilhos ainda distorcem a perspectiva de alfabetização funcional integral no país. Portanto, é de responsabilidade da ANA, em associação com o MEC (Ministério da Educação), desenvolver uma cartilha de alfabetização que, por meio de uma didática mais inclusiva e atualizada a partir de dados do próprio ministério, seja capaz de amparar ambos os estudantes com distúrbios de aprendizado como TDAH, dislexia e autismo, como alunos que dependem do ensino público do país para que, finalmente, sejam impactados positivamente os índices de alfabetização funcional no Brasil.