Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 29/04/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa no contexto atual é o oposto do que o autor prega, uma vez que o analfabetismo funcional apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do baixa qualidade do ensino escolar, quanto da falta de educação pelas famílias. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que analfabetismo funcional deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Nesse contexto, devido à falta de atuação das autoridades, a má qualidade do ensino faz com que muitas pessoas saiam do ensino básico lendo, porém, não realizando contas fáceis ou interpretando textos, o que gera dificuldades em seus cotidianos. Como no livro “Vidas secas”, de Graciliano Ramos, Fabiano, o protagonista, é incapaz de entender o que são juros e como eles podem fazer com que seu pagamento se torne muito menor. Desse modo, faz-se importante a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a falta de educação dos responsáveis como promotor do problema. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a família é o mecanismo primário de socialização. Nesse sentido, A falta de momentos de leitura coletiva proporcionada pela família, momentos de aprendizado em casa, são elementos fundamentais que culminam na dificuldade de socialização posteriormente, dificuldades na escola, no trabalho e em questões práticas do dia-a-dia. À vista disso, percebe-se por meio de dados de uma pesquisa realizada pela Record em 2016 que, apenas, 0,08% da população brasileira possui domínio de leitura e produção de texto. Ora, nota-se, assim, como o analfabetismo funcional, causado pelos problemas supracitados é presente e precisa ser combatido.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática. Destarte, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se, urgentemente, que o Ministério da Educação, com o apoio de ONGs educacionais, deve criar campanhas de incentivo à leitura, presenciais e on-line, por meio da divulgação nos principais meios de comunicação - rádio, televisão e redes sociais do Ministério, como: instagram e twitter - de modo que atinja um maior número de pessoas. Dessa forma, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do analfabetismo funcional, e a coletividade alcançará a Utopia de More.