Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 05/05/2020

A série “Segunda chamada” é um retrato fidedigno da educação brasileira hodierna. Na trama, devido a inúmeros fatores, ocorre um sucateamento do ensino, causando danos aos alunos. Fora da ficção, no entanto verossímil, o Brasil enfrenta um alto índice de analfabetismo funcional, mediante a uma educação defasada e a falta de incentivo à leitura. Por conseguinte, é urgente o debate e a resolução dessa problemática.

A princípio, é fundamental analisar o descaso governamental perante à educação. Nesse prisma, segundo o filósofo e pedagogo brasileiro Paulo Freire, a educação deve, antes de tudo, formar um ser humano crítico, capaz de resolver problemas que lhe forem apresentados. No entanto, a educação brasileira é, em sua maioria, voltada apenas para o ensino do conteúdo programático, deixando de lado outras áreas do conhecimento. Tangente a isso, forma-se pessoas que não têm a devida instrução para codificar textos e aplicar os cálculos matemáticos mais complexos em sua vivência.

Ademais, é imprescindível analisar, para além das chagas educacionais, a falta do hábito da leitura. Nesse viés, de acordo com o filósofo francês Pierre Bourdieu, um costume é moldado a partir de práticas recorrentes de determinadas atividades. No entanto, a leitura não é incentivada na sociedade brasileira, fazendo-a, assim, ficar cada vez mais distante da vivência da população. Com isso, a sociedade, sem a prática da leitura, fica cada vez mais vulnerável ao analfabetismo funcional, já que não estimulam a interpretação de textos.

Infere-se, portanto, que o analfabetismo funcional é uma problemática brasileira, assim sendo importante a sua resolução. Dessa forma, urge que o Ministério da Educação insira no conteúdo programático do Ensino Fundamental ao Médio, matérias que amplie a área do conhecimento e estimule o senso crítico dos alunos, assim proporcionando uma educação mais completa. Concomitantemente, cabe ao Governo Federal incentivar a população a ler, por meio de propagandas nas mídias televisivas, para que assim, com a prática da leitura, estimule a interpretação de texto da sociedade. Só assim, garantindo que o cenário presenta na série televisiva fique limitado à ficção.