Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 07/05/2020
No livro, A menina que Roubava Livros, de Markus Zusak, publicado em 2005, a protagonista Liesel Meminger enfrenta o horror da Segunda Guerra Mundial, por meio da leitura. A jovem, com bloqueio em compreensão de textos simples, encontra nos livros, não apenas desejo por conhecimento, como também um refugio para afastar-se de sua infeliz realidade durante a Alemanha Nazista. Tal obra fictícia, além de expor benefícios da necessidade dessa arte, ainda denuncia a problemática da mesma, similar ao que ocorre no Brasil contemporâneo. Nesse contexto, faz-se crucial encontrar alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil.
Em primeira análise, o sistema de ensino brasileiro falha no que refere-se a método educacional. Isto se deve, a ideia de que a escola é a única responsável pela aprendizagem das crianças. Contudo, a participação de pais e da instituição, de forma conjunta, é um passo inicial para o desenvolvimento de um caráter. Segundo um estudo feito pela ONG Ação Educativa, o indicador comprova que, 29% dos brasileiros são considerados analfabetos funcionais. Ou seja, a interpretação de textos deveria ser um componente curricular nas escolas, que além de só leituras técnicas, também deveriam focar no entendimento e no debate dos assuntos abordados pelos alunos. Assim, o incentivo à leitura desde a infância ao lado de técnicas de interpretação são uma alternativa para a superação dessa problemática.
Em segunda análise, o Estado não exerce seu papel de forma eficaz. O acesso a educação está previsto como direito de todos os cidadãos na Constituição Federal de 1988, entretanto, a carência de investimentos nessa área, associada à falta de recursos financeiros e famílias em precariedade, leva inúmeras pessoas a uma alfabetização incompleta. No livro “Vidas Secas”, do autor Graciliano Ramos, retrata a vida de uma família, vítima de diversos problemas sociais, em que se inclui o analfabetismo funcional. Assim, jovens não completam seus estudos e, em uma concepção financeira, a pobreza e o desenvolvimento da sociedade também são afetados. Deste modo, investimentos ao ensino em regiões desfavorecidas economicamente é um caminho para conter esse desafio.
Por conseguinte, é evidente, a necessidade de encontrar alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil. Faz-se imprescindível que escolas ao lado dos pais das crianças tornem a estratégia de educação mais eficaz, por meio de dinâmicas escolares, a fim de estimular a leitura nos primeiros anos de vida. Além disso, cabe ao Ministério da educação construir bibliotecas públicas, por intermédio de verbas governamentais, visando ampliar a leitura comunitária para que haja um desenvolvimento social coletivo. Com essas medidas, todos poderão encontrar na leitura um refugio, assim como Lisiel Meminger encontrou.