Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 29/05/2020

O livro “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, conta a história de Macabéa, uma jovem mulher, que se muda para cidade grande e enfrenta diversos desafios em seu trabalho, pois apresenta dificuldade na interpretação da língua. Fora da ficção, vários brasileiros possuem os mesmos problemas que a personagem e são denominados como analfabetos funcionais, visto que sabem ler e escrever, porém não conseguem realizar interpretação de textos complexos. À luz disso, a valorização dos professores e a diminuição da evasão escolar são alternativas reduzir essa problemática no Brasil.

Mormente, é notório o baixo investimento em educação no Brasil. Consoante à tese “Pacto da mediocridade” de Darcy Ribeiro, antropólogo e escritor brasileiro, o sistema de ensino baseia-se em um professor mal remunerado que finge que ensina e um aluno que finge aprender. Nesse espectro, a desvalorização dos profissionais da educação, que não possuem bons salários e trabalham em escolas com má estrutura e poucos recursos - como livros, internet, xerox e entre outros - desmotiva-os e os impossibilita de educar da melhor forma os estudantes. Nesse contexto, a melhora dos salários dos professores e investimento em ferramentas para facilitar o ensino permite que os jovens consigam absorver melhor os conteúdos ensinados e desenvolver a língua portuguesa de maneira proficiente.

Ademais, nota-se que a evasão escolar tem como principal consequência a formação de analfabetos funcionais, porque apesar de já ter possuído algum contato com a educação, não conseguem fortalecer seu ensino. Dessa forma, segundo dados do Ministério da Educação (MEC), a maioria dos estudantes do ensino médio que abandonam a escola, saem por falta de interesse nas aulas. Nesse sentido, é importante tornar as instituições ambientes atrativos aos alunos, com o intuito de incentivar a conclusão do ensino básico. Além disso, as escolas devem ampliar o suporte aos jovens que tem dificuldade nas matérias escolares, para que simples dúvidas de sala de aula não se torne motivos para desistir dos estudos.

É mister, portanto, medidas para mitigar a problemática apresentada. Desse modo, urge que o MEC invista em educação, por meio da realocação de recursos direcionados à educação, com foco principal em valorizar os salários dos professores e melhorar espaços escolares como a biblioteca e a implementação de internet, com o objetivo de tornar as instituições de ensino capacitadas a ensinar os estudantes de maneira eficiente. Outrossim, os colégios devem desenvolver atividades extracurriculares, por meio da criação de oficinas de música e arte, além do incentivo ao esporte. Dessa maneira, o ambiente escolar vai ser atrativo aos alunos e fortalecerá uma visão da escola para além da sala de aula. Feito isso, o problema poderá ser superado.