Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 24/05/2020

É notório que o analfabetismo funcional no Brasil não deve ser encarado como crônico, já que isso isentaria os governantes e a população da responsabilidade de ter que resolvê-lo. Nesse sentido, é necessário que subterfúgios sejam encontrados a fim de solucionar essa inercial problemática.

O filme “Central do Brasil” expõe a trajetória da professora Isadora que, ao se aposentar, passa a escrever cartas em nome da comunidade carente, que pouco contato teve com a educação básica. Em 2017, segundo o Censo Escolar, o índice de evasão escolar foi de 11%, o que contribui ao aumento das pessoas que sequer sabem escrever. Além disso, a estatística engloba os que até possuíram contato com o letramento, mas por falta de incentivo governamental e pela necessidade de complementação da renda familiar, não prosseguiram com os estudos.

Cabe citar o escasso conhecimento acumulado e não compreendido durante o ensino médio. O antropólogo Darcy Ribeiro postula o conceito de nome “pacto da mediocridade”, em que os professores fingem ensinar e os alunos aparentam estar aprendendo. Tal quadro se forma pela quantidade de professores desmotivados que, mesmo com longas jornadas de trabalho, não possuem reajustes salariais e  uma infraestrutura adequada, fator nítido em colégios públicos, carentes de tecnologia e de instrumentos pedagógicos. Com professores devidamente remunerados e uma boa infraestrutura, o aprendizado torna-se mais eficiente, aumentando, inclusive, as chances de ingresso no ensino superior público e privado por meio dos vestibulares, que exigem um domínio dos conteúdos escolares.

Infere-se, portanto, a necessidade de iniciativas governamentais para a resolução desse problema. O subsídio estatal é fundamental à motivação de educadores e ao incremento da infraestrutura pedagógica.Bolsas financeiras a estudantes de baixa renda são de suma importância, para que haja a diminuição dos índices de evasão escolar. Dessa forma, todos poderão escrever e compreender suas próprias cartas, como Isadora.